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Entregas de fertilizantes no Brasil podem recuar 8% em 2026, estima RaboResearch

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O mercado brasileiro de fertilizantes deve fechar 2026 com 45,1 milhões de toneladas entregues, volume 8,1% inferior ao recorde de 49,1 milhões de toneladas registrado em 2025, segundo projeção da RaboResearch.

Cenário de crédito limitado e preços elevados

A consultoria atribui a queda prevista ao elevado endividamento dos produtores rurais, à menor capacidade de compra e à valorização internacional dos principais nutrientes. Tensões no Oriente Médio, que afetam o fluxo de cargas pelo Estreito de Ormuz, ampliam a incerteza sobre o fornecimento de fertilizantes nitrogenados e fosfatados.

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Revisões sucessivas

Em abril, a estimativa para 2026 havia sido revisada para 47 milhões de toneladas; em julho, caiu para 45,1 milhões de toneladas. O relatório alerta que novas reduções não estão descartadas caso as dificuldades logísticas e geopolíticas persistam.

Impacto nas importações

No primeiro semestre de 2026, as compras externas de ureia caíram 31% em comparação com igual período do ano anterior. Considerando apenas o teor de nitrogênio, a retração foi de 22%. Essa queda preocupa porque o produto é essencial para a segunda safra de milho, cujo plantio começa em janeiro de 2027.

A relação de troca da ureia, contudo, melhorou após atingir o pior nível em abril, ficando em 0,19 em julho, o que pode estimular uma retomada gradual das importações até o fim do ano.

Fosfatados em situação mais apertada

As aquisições de MAP recuaram 24% no primeiro semestre, enquanto as de superfosfato triplo (TSP) avançaram cerca de 40%. Quando convertidos em P2O5, a queda foi próxima de 8%. Com preços internacionais ainda elevados, muitos produtores devem recorrer às reservas de fósforo já existentes no solo, estratégia adotada em 2022.

Enxofre e amônia pressionam custos

O Oriente Médio responde por 43% das exportações mundiais de enxofre, cuja oferta global caiu quase 40% no semestre. O preço médio do insumo atingiu US$ 733 por tonelada — 2,7 vezes acima da média de 2025. A alta, somada ao encarecimento da amônia, elevou os custos de produção dos fertilizantes fosfatados. A RaboResearch prevê retração de 7% no consumo mundial de fosfatados em 2026 e de mais 5% em 2027.

Potássio apresenta estabilidade

Diferente dos demais nutrientes, o potássio mostra quadro mais equilibrado. As importações brasileiras subiram 6% no primeiro semestre. No mercado global, as compras somaram 29,3 milhões de toneladas entre janeiro e maio, alta de 7% em relação a 2025. A expectativa é de manutenção da demanda em 2026, com possibilidade de queda gradual nos preços.

Volatilidade nos nitrogenados

Entre janeiro e julho, o valor das importações mundiais de fertilizantes ficou 20% abaixo do observado em 2025. A retomada parcial das exportações chinesas ameniza o quadro, mas Índia e Brasil seguirão decisivos para a formação de preços. A consultoria projeta recuo aproximado de 5% no consumo global de ureia neste ano.

Relação de troca ainda desfavorável

Mesmo com recuo nas cotações após os picos iniciais do conflito no Oriente Médio, os fertilizantes seguem caros em relação às commodities agrícolas. No Brasil, o índice de acessibilidade passou de 0,05 em janeiro para -0,14 em abril. Entre os nutrientes, os fosfatados apresentam a pior relação (-0,59), seguidos pelos nitrogenados (-0,17) e pelo potássio (-0,08). A RaboResearch prevê melhora lenta nos próximos 12 meses, mas o indicador deve continuar negativo.

Fatores climáticos em foco

A possível atuação do El Niño adiciona incerteza à produção agrícola global. Embora os estoques de grãos permaneçam historicamente elevados, problemas climáticos, custos altos e restrições logísticas no Mar Negro podem manter as cotações na parte superior das faixas recentes de preços pelos próximos seis a 12 meses.

Para o produtor brasileiro, o desafio será equilibrar o corte de investimentos em adubação — necessário para aliviar o caixa — com o risco de perda de produtividade e de esgotamento da fertilidade do solo nas safras seguintes.

Com informações de Portal do Agronegócio

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