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Hubble confirma formação atmosférica de dez lados no polo sul de Saturno

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Astrônomos detectaram uma estrutura atmosférica com dez lados – um decágono – ao redor do polo sul de Saturno. O fenômeno, confirmado por imagens do Telescópio Espacial Hubble, tem cerca de 167,8 mil quilômetros de diâmetro e cada lado mede aproximadamente 16,8 mil quilômetros.

Descoberta após década sem observação direta

Entre 2012 e 2023, a inclinação do eixo de Saturno manteve o polo sul fora do alcance de telescópios terrestres. Com o retorno da iluminação solar à região, pesquisadores voltaram a monitorar a atmosfera do planeta e, em 2024, Agustín Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, junto aos astrônomos amadores Trevor Barry e Jean-Paul Oger, identificou uma faixa ondulada sutil nesse hemisfério. Novas imagens obtidas em 2025 sugeriram a geometria de dez lados, posteriormente corroborada por registros do Hubble que mostravam o decágono já presente em 2023.

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Comparação com o hexágono do polo norte

O hexágono observado no polo norte desde 1988 mede aproximadamente 32 mil quilômetros de largura e permanece estável há décadas. A descoberta do decágono indica que formações geométricas poligonais não são exclusivas daquela região do planeta.

O que se sabe sobre a dinâmica do decágono

A estrutura é resultado de uma onda atmosférica alojada em uma corrente de jato poderosa. Dados do Hubble revelam variações de posição conforme o comprimento de onda analisado, sugerindo que o fenômeno se estende por várias camadas da atmosfera e não se limita ao topo das nuvens.

Simulações computacionais conduzidas pela equipe indicam que o decágono pode ter surgido a partir de uma onda presa a uma corrente de jato curva. Diferentemente do hexágono do norte, cujos lados mantêm brilho uniforme, o decágono apresenta trechos com luminosidade distinta, sinal de que a formação ainda está em evolução.

Rotação lenta e futuro incerto

Estima-se que a onda leve cerca de 800 dias para completar uma volta em torno do planeta. Os cientistas querem saber se a estrutura tornará-se estável ou se desaparecerá conforme aumenta a radiação solar no hemisfério sul, com pico previsto para 2032.

Além de acompanhar a estabilidade do polígono, os pesquisadores pretendem mapear em detalhe a distribuição tridimensional de nuvens, névoas, ventos e temperaturas, o que pode aprimorar modelos de dinâmica atmosférica em gigantes gasosos.

Importância das observações de longo prazo

As imagens que confirmaram o decágono integram o programa Outer Planet Atmospheres Legacy (OPAL), que registra anualmente os planetas externos há mais de dez anos. Segundo Mike Wong, da Universidade da Califórnia em Berkeley, a constância do OPAL permite identificar variações sazonais e fenômenos de longa duração como o recém-detectado decágono.

Os resultados do estudo foram publicados em 2 de setembro na revista Science Advances.

Com informações de Olhar Digital

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