O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu neste mês o inquérito da Operação Saturno, que apura uma rede de lavagem de dinheiro estimada em R$ 48 bilhões movimentados entre 2019 e 2024. O caso foi distribuído ao ministro André Mendonça, relator de outros processos que envolvem o Banco Master e fraudes no INSS.
Prisão em 2024 deu origem à investigação
As apurações começaram em 2024, quando um traficante foi preso em São Paulo com drogas e R$ 100 mil em espécie. A partir de quebras de sigilo autorizadas pela Justiça, a Polícia Civil identificou um fluxo de recursos que partia de contas em nome de laranjas e seguia para empresas usadas por operadores financeiros especializados em ocultar patrimônio ilícito.
Trajetória do dinheiro até o Banco Master
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o capital oriundo do tráfico de drogas chegava ao sistema formal por meio de várias companhias. Uma distribuidora transferiu R$ 7,5 milhões para a fintech Nexpay, responsável por pagamentos a sites chineses. Para enviar esses valores ao exterior, a Nexpay utilizava operações de câmbio do Banco Master.
Outra empresa investigada, a Wave, mandou quase R$ 1 milhão a um grupo que mantinha fundos no Master e que teria financiado a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ligação com fraudes em aposentadorias do INSS
A investigação também mapeou repasses entre consultorias e firmas de fachada ligados a benefícios previdenciários. Uma empresa do lobista Antônio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”, destinou R$ 13,7 milhões à Arpar Administração. A Arpar, por sua vez, distribuiu recursos a outras cinco empresas suspeitas de receber dinheiro do tráfico, misturando origens ilícitas distintas e dificultando o rastreamento.
Operadores e método de atuação
O inquérito indiciou oito pessoas apontadas como responsáveis por um “sistema financeiro paralelo”. Os investigados ofereciam desde abertura de contas fraudulentas até compra de criptomoedas e câmbio clandestino. Documentação de trabalhadores de baixa renda era usada para registrar empresas de fachada; em troca, os laranjas recebiam cerca de R$ 2 mil mensais sem saber que seus nomes encobriam transações bilionárias.
Com a chegada do caso ao Supremo, caberá ao ministro André Mendonça avaliar pedidos de novas diligências e definir se a investigação permanece na Corte ou volta à primeira instância.
Com informações de Gazeta do Povo

