O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, divulgou nota neste sábado (25/7) em que considera “desrespeitosa” a declaração do presidente da Argentina, Javier Milei, que chamou o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca”.
Fachin afirmou que a referência feita por Milei atinge um magistrado da mais alta Corte brasileira e ocorreu “em solo brasileiro”, referindo-se a ato jurisdicional praticado “conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”.
“Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, acrescentou o ministro.
Ofensa foi feita em convenção do PL
A fala de Milei ocorreu durante convenção do Partido Liberal (PL), em que o senador Flávio Bolsonaro foi oficializado como pré-candidato à Presidência da República. Na ocasião, o presidente argentino criticou a decisão de Moraes que barrou sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro e disse: “O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso”.
Milei afirmou ainda que a proibição seria uma “vingança” contra Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no processo sobre tentativa de golpe de Estado. O ex-chefe do Executivo cumpre prisão domiciliar.
Decisão de Moraes
Relator da execução penal de Bolsonaro, Moraes vetou em 18 de julho o pedido de visita apresentado por Milei, lembrando que todas as visitas ao ex-presidente estão suspensas por 30 dias.
Críticas também a Lula
Antes do episódio, durante o mesmo evento, Milei incentivou o coro de apoiadores que pediam a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao ouvir gritos de “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”, o argentino gesticulou para que o público intensificasse os clamores e balançou a cabeça em sinal de concordância.
Com a nota, Fachin buscou defender a independência do Judiciário brasileiro e condenar a postura do chefe de Estado argentino.
Com informações de Metrópoles

