Um levantamento da Universidade Federal do Pará (UFPA) detectou partículas de microplástico em todos os 100 girinos coletados em lagoas rasas da região amazônica. É o primeiro registro de contaminação desse tipo em filhotes de anuros (sapos, rãs e pererecas) na floresta tropical.
Coleta e análise
Os pesquisadores capturaram, em julho de 2026, cem exemplares de Scinax x-signatus em cinco pontos do Parque Ecológico do Gunma, localizado em Santa Bárbara do Pará, na região metropolitana de Belém. No laboratório, o material biológico foi observado ao microscópio, onde surgiram fibras coloridas e pequenos fragmentos – indícios clássicos de microplástico, definido como qualquer resíduo plástico com menos de 5 mm de diâmetro.
Impacto no desenvolvimento
A equipe notou uma relação direta entre maior quantidade de partículas e menor peso corporal dos girinos. Segundo a bióloga Fabrielle Barbosa de Araújo, que liderou o estudo, essa fase da vida passa por 46 estágios até a metamorfose, tornando os animais especialmente sensíveis a alterações ambientais.
Origem da contaminação
Araújo explica que as micropartículas alcançam a floresta por vento, chuva, cursos d’água e descarte irregular de resíduos. Pesquisas anteriores do mesmo grupo já haviam localizado microplásticos na pele, nos pulmões e no sistema digestivo de sapos adultos.
Risco para a cadeia alimentar
A presença desses resíduos em organismos aquáticos pode subir na cadeia trófica e chegar ao consumo humano por meio de peixes e crustáceos. Outros estudos já identificaram microplásticos em sangue, placenta, pulmões, fígado e rins de pessoas, com indícios de processos inflamatórios e alterações metabólicas, ainda sem confirmação de ligação direta com doenças graves.
Os autores destacam a necessidade de ampliar o monitoramento da poluição plástica mesmo em áreas consideradas remotas, dado o potencial impacto na fauna e, indiretamente, na saúde humana.
Com informações de BBC News Brasil

