Washington – A Casa Branca impôs nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, uma tarifa extra de 25% sobre parte das exportações brasileiras, preservando itens como carne, café e aeronaves. O novo aumento amplia a escalada iniciada em abril de 2025 e já provocou prejuízos estimados em ao menos US$ 1,5 bilhão ao Brasil, de acordo com entidades setoriais.
Primeiro movimento: abril de 2025
No dia 1º de abril de 2025, o então presidente Donald Trump divulgou uma taxa mínima de 10% sobre importações de todos os países. Na prática, nações com as quais os Estados Unidos registravam déficits comerciais receberam percentuais ainda mais altos, embora parte dessas cobranças tenha sido revista nas semanas seguintes por meio de acordos bilaterais e isenções.
Ponto de tensão: julho de 2025
Em 10 de julho de 2025, Washington elevou para 50% a tarifa aplicada especificamente aos produtos brasileiros. O objetivo declarado era pressionar Brasília a interromper o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O percentual atingiu todos os itens nas primeiras horas, mas, pouco depois, foram abertas exceções que retiraram da lista setores estratégicos como aviação, café e petróleo.
Negociações e alívios
Entre julho e setembro de 2025, autoridades brasileiras enfrentaram dificuldades para dialogar com o governo norte-americano. O impasse começou a ser superado em 23 de setembro, quando Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversaram nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Um encontro presencial ocorreu em outubro, na Malásia, e resultou na retirada de novos produtos da lista tarifária e em sinalizações de normalização.
Intervenção da Suprema Corte e nova cobrança
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA anulou as tarifas de 50% decretadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa). No mesmo dia, Trump instituiu uma alíquota geral de 10% pela Seção 122, ainda em vigor.
Deterioração do clima político
Apesar da visita de Lula à Casa Branca em maio de 2026, não houve recuo das tarifas. No mesmo mês, Trump recebeu Flávio Bolsonaro em Washington e, pouco depois, classificou as facções PCC e CV como organizações terroristas, medida vista pelo Planalto como fator de instabilidade.
Impactos sobre o comércio
Levantamento da Amcham aponta redução de US$ 1,5 bilhão nas exportações brasileiras para os EUA entre agosto e novembro de 2025. Em 15 dos 21 setores analisados — entre eles mel, pescados, plástico, borracha, madeira, metais e material de transporte — não foi possível redirecionar mercadorias para outros mercados, acumulando perdas adicionais de US$ 1,2 bilhão.
Efeitos nos Estados Unidos
Segundo o governo americano, o déficit comercial caiu 0,2% em 2025, ficando em US$ 901,5 bilhões. No caso do Brasil, Washington registrou superávit de US$ 14,4 bilhões, alta de 112,8% ante 2024: exportou US$ 54,4 bilhões (+10,7%) e importou US$ 39,9 bilhões (-5,7%). A arrecadação mensal com tarifas internacionais saltou de US$ 7,3 bilhões em janeiro de 2025 para US$ 27,6 bilhões em janeiro de 2026. A Tax Foundation calcula que o custo seja repassado ao consumidor americano, elevando a carga tributária média em cerca de US$ 600 por residência em 2026.
Com a nova tarifa de 25% anunciada em 15 de julho de 2026, o governo brasileiro volta a buscar negociações para mitigar os impactos sobre seus exportadores, enquanto a relação bilateral permanece instável.
Com informações de Exame

