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Oferta global de café melhora no 3º trimestre, mas El Niño mantém risco de alta nos preços

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A entrada da safra recorde brasileira e a recuperação da produção no Vietnã devem ampliar a disponibilidade de café no mercado internacional a partir do terceiro trimestre de 2026. Mesmo com esse alívio, analistas seguem atentos aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a próxima safra, fator que pode devolver pressão altista às cotações.

Safra brasileira atinge 75,3 milhões de sacas

Levantamento da StoneX, divulgado na 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, estima que o Brasil colherá 75,3 milhões de sacas na temporada 2026/27, um avanço de 20,8 % em relação ao ciclo anterior. O volume é composto por 50,2 milhões de sacas de arábica e 25,1 milhões de robusta (conilon), configurando uma das maiores colheitas já registradas no país.

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Com a produção brasileira robusta, a consultoria projeta superávit global próximo de 10 milhões de sacas, revertendo o quadro de oferta apertada verificado nos últimos anos.

Queda nos preços reflete chegada da nova safra

A proximidade da colheita no Brasil provocou recuo expressivo nos contratos futuros: o arábica caiu ao menor patamar em cerca de 18 meses, e o robusta recuou às mínimas de quase um ano. Segundo Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, a percepção de falta de produto foi substituída por um cenário de oferta mais folgada, embora fatores logísticos e climáticos continuem gerando volatilidade.

Colheita lenta e estoques reduzidos oferecem suporte

Condições climáticas adversas retardaram parte da colheita brasileira, enquanto as vendas de produtores seguem abaixo da média histórica. Além disso, os estoques certificados na ICE permanecem baixos, limitando a entrega imediata do grão e impedindo quedas ainda maiores nos preços.

Vietnã amplia participação com 32,5 milhões de sacas

Maior fornecedor mundial de robusta, o Vietnã deve elevar a produção na temporada 2026/27 para aproximadamente 32,5 milhões de sacas, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O incremento acontece após dois anos em que preços altos estimularam produtores a segurar estoques.

Consumo mantém firmeza

Apesar do recuo nas cotações, a demanda global segue resiliente. A StoneX destaca que o próprio Vietnã deve anotar consumo interno recorde, apoiado pelo crescimento econômico e pela expansão de cafeterias, o que pode absorver parte da oferta adicional.

Retorno dos estoques privados ao mercado

Produtores, cooperativas e exportadores acumularam café durante o período de preços recordes. Com o recuo das cotações e a maior produção, espera-se que essas reservas voltem gradualmente ao mercado, ampliando a oferta física. A velocidade desse movimento deve influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses, avalia Rossetti.

El Niño segue como maior incerteza

Modelos climáticos indicam probabilidade superior a 80 % de permanência do El Niño no segundo semestre de 2026, com possível intensificação até o final do ano. No Brasil, o clima entre setembro e outubro será decisivo para a florada da safra 2027/28. Já no Sudeste Asiático, Vietnã e Indonésia podem enfrentar calor excessivo e chuvas escassas, comprometendo a produção de robusta.

Se os impactos climáticos se confirmarem, o mercado pode voltar a adicionar prêmio de risco às cotações ainda no fim de 2026, mantendo a volatilidade elevada mesmo diante do atual quadro de oferta confortável.

Com informações de Portal do Agronegócio

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