São Paulo – A holding brasileira Alvorada, que desde 2023 possui concessão para explorar três blocos na Faixa Petrolífera do Orinoco, na Venezuela, anunciou a compra da Calistoga, pequena produtora onshore do Texas com quase 15 anos de mercado.
A adquirida mantém cinco poços ativos e volumes modestos de produção, porém detém todas as autorizações regulatórias necessárias para que a Alvorada estabeleça seu escritório-sede em território norte-americano. A partir do Texas, a companhia pretende coordenar a estratégia para a vizinha Venezuela.
Pressão geopolítica e logística
Segundo o chairman Paulo Buzanelli, a proximidade com os Estados Unidos ganhou importância depois da prisão de Nicolás Maduro por autoridades americanas em janeiro de 2026, fato que levou empresas privadas venezuelanas a intensificarem contatos com o governo Donald Trump. Com sanções flexibilizadas, os EUA despontam como principal comprador potencial do petróleo venezuelano.
“Quando o barril sai do Oriente Médio, leva até 40 dias para chegar aos EUA; partindo da Venezuela, o trajeto cai para cinco ou, no máximo, sete dias”, afirmou Buzanelli. Ele acrescenta que a influência norte-americana no país sul-americano aumentou após os terremotos que deixaram milhares de mortos e evidenciaram o peso econômico da indústria petrolífera na reconstrução.
Operação em expansão
Atualmente, a Alvorada controla três blocos, 13 campos de petróleo e mais de 700 poços perfurados na Venezuela. O modelo é de partilha com a estatal PDVSA, que fica com os royalties, enquanto todo o investimento parte da holding brasileira.
No fim de 2025, a produção diária era de 3 mil barris. A empresa estima que uma segunda frente eleve o volume para 22 mil barris por dia e mira chegar a 200 mil barris diários no médio prazo. Para isso, negocia com tradings de commodities e diz estar “próxima de firmar uma aliança”.
A operação conjunta com a Calistoga ainda requer licenças do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), mas a Alvorada já começou a comprar equipamentos nos EUA para enviar aos campos venezuelanos.
Financiamento e novos mercados
Sem histórico no setor de óleo e gás, Buzanelli ingressou no segmento por meio da Concordia, holding com participações em vários ramos. A primeira captação institucional ocorreu após a detenção de Maduro, quando a Galapagos Capital passou a financiar a expansão.
Além de ampliar a presença na Venezuela, a companhia analisa oportunidades na Colômbia — cujo novo governo se mostra mais alinhado a Washington —, na Bolívia (gás) e na Argentina. No Brasil, estuda a compra de ativos onshore, mas não revela o alvo.
Com informações de Exame

