O Turcomenistão passou a figurar entre os principais vendedores de fertilizantes para o Brasil. Entre janeiro e junho de 2026, o país centro-asiático embarcou 1,3 milhão de toneladas de produtos potássicos ao mercado brasileiro, volume inexistente no mesmo intervalo do ano anterior. A guinada ocorre em meio ao esforço nacional para garantir segurança no suprimento após instabilidades geopolíticas no Oriente Médio.
Importações recuam em quantidade, mas sobem em valor
No primeiro semestre, o Brasil adquiriu 18,3 milhões de toneladas de adubos, queda de 6 % na comparação anual. Apesar do recuo físico, o desembolso subiu 9 %, alcançando aproximadamente US$ 7 bilhões (R$ 36 bilhões), reflexo da elevação dos preços internacionais durante os meses de maior tensão política.
Conflito pressiona preços, mas cotações voltam a ceder
O confronto entre Estados Unidos e Irã chegou a dobrar o preço da ureia e impulsionou também potássicos e fosfatados. Com a trégua, as cotações recuaram gradualmente, aproximando-se dos níveis anteriores à crise, o que alivia parte dos custos de produção agrícola.
Dependência externa permanece alta
Mesmo com novos fornecedores, o Brasil continua fortemente dependente do mercado externo. No início dos anos 2000, as importações de fertilizantes somaram 3,1 milhões de toneladas no primeiro semestre; hoje, o volume é quase seis vezes maior. A expansão da área de grãos, que saltou de 38 milhões para 84 milhões de hectares, e o crescimento dos canaviais impulsionam essa demanda. O café, por sua vez, teve leve retração de área.
Rússia retoma liderança nas vendas ao Brasil
Depois de perder a dianteira para a China em 2025, a Rússia voltou ao topo dos fornecedores no primeiro semestre de 2026, com 3,9 milhões de toneladas. Na sequência aparecem:
- China – 3,5 milhões t
- Canadá – 2,9 milhões t
- Marrocos – 1,7 milhão t
- Turcomenistão – 1,3 milhão t
Ao todo, o Brasil importou fertilizantes de 57 países no período. Em 2025, o volume anual bateu recorde de 45,5 milhões de toneladas.
Armazenagem: milho ganha espaço no Mato Grosso
Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que produtores mato-grossenses priorizam o milho na estocagem. A soja, com preços mais baixos, perdeu atratividade para ser armazenada, pois custos e riscos de desvalorização superam os ganhos potenciais. Já o milho tem expectativa de valorização no segundo semestre, estimulando retenção de parte da produção.
Receita do suco de laranja encolhe
No mercado externo de suco de laranja, as exportações brasileiras permaneceram estáveis em 747 mil toneladas na safra 2025/26. Contudo, a receita recuou cerca de 30 %, somando US$ 2,38 bilhões (R$ 12,3 bilhões), impactada pela migração de consumidores para outras bebidas.
Com informações de Portal do Agronegócio

