O café voltou ao centro das atenções no mercado internacional ao registrar valorização superior a 10% nos contratos futuros negociados na bolsa ICE nas últimas semanas, apontou levantamento do Rabobank divulgado em 14 de julho de 2026. O desempenho coloca a bebida à frente de todas as demais commodities agrícolas acompanhadas pelo banco.
Oferta apertada e clima instável sustentam preços
A escalada das cotações é atribuída a uma combinação de fatores: preocupação com a oferta global, estoques enxutos em alguns destinos, demanda internacional firme por cafés de maior qualidade, condições climáticas adversas em regiões produtoras e volatilidade cambial.
Brasil permanece peça-chave no mercado mundial
Como maior produtor e exportador do mundo, o Brasil exerce influência direta sobre a formação dos preços internacionais. O país lidera a produção de café arábica, robusta/conilon, cafés especiais e solúvel, abastecendo principalmente Estados Unidos, Europa, Japão, China e nações do Oriente Médio.
Câmbio favorece rentabilidade dos exportadores
A manutenção do dólar em patamar elevado aumenta a competitividade do café brasileiro, já que a conversão das receitas externas em reais melhora a margem dos exportadores. O alívio cambial ocorre em meio a custos ainda altos com fertilizantes, defensivos, combustíveis, mão de obra e logística.
Clima segue como principal risco para a safra
Secas prolongadas, excesso de chuvas, geadas e ondas de calor continuam no radar de produtores de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia. Qualquer redução significativa na oferta nacional pode provocar novas altas nas bolsas.
Outras commodities também avançam
O Rabobank registrou ganhos em soja (+3,7%), milho (+4,4%), trigo (+6%) e algodão (+5%) no mesmo período. O movimento reflete demanda aquecida, incertezas climáticas e maior interesse de investidores por ativos ligados ao mercado físico.
Petróleo e tensões geopolíticas elevam custos
A valorização do petróleo, impulsionada por riscos no Oriente Médio, pressiona gastos com combustíveis agrícolas, transporte e fertilizantes nitrogenados, adicionando volatilidade ao setor.
Cautela na comercialização
Especialistas recomendam que produtores brasileiros acompanhem preços futuros, custos de produção, câmbio e evolução da demanda antes de fechar negócios, já que a volatilidade deve permanecer elevada ao longo de 2026.
Com informações de Portal do Agronegócio

