O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) designou a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado, mas a indicação não deve dissipar a tensão com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A troca ocorre após a saída de Jaques Wagner (PT-BA), alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Ao formalizar o nome da parlamentar, Lula reafirmou como prioridades no Senado a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e extingue a escala 6×1, além da PEC da Segurança Pública — ambas paradas na mesa de Alcolumbre.
Posicionamento da nova líder
Em nota, Teresa Leitão disse que buscará “fortalecer a articulação entre o Palácio do Planalto, a base aliada e os parlamentares, especialmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre”, para avançar nas pautas de interesse do governo. A senadora tem reunião marcada com Lula nesta segunda-feira (29) para alinhar estratégias.
Critérios da escolha
Pontuaram a favor de Teresa o fato de não disputar reeleição, ter boa reputação entre colegas de diferentes partidos e integrar a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), ala considerada moderada do PT. Apesar disso, ela não possui o mesmo peso político de Jaques Wagner nem integra o círculo mais próximo de Alcolumbre.
Pautas travadas
A PEC que trata do fim da escala 6×1 é considerada prioritária pelo Planalto, mas não tem o mesmo grau de urgência para o comando do Senado. Pessoas próximas a Alcolumbre afirmam que o tema pode ir a voto antes do recesso parlamentar ou, no máximo, até as eleições de outubro. Até agora, porém, o texto não foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), situação semelhante à da PEC da Segurança Pública.
Lideranças fragilizadas
A articulação do governo no Congresso enfrenta desgaste desde que Lula rompeu com Alcolumbre após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Interlocutores avaliam que somente um encontro entre os dois poderia pacificar o cenário, mas não há previsão de conversa.
No comando da liderança do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) vive situação delicada: aliado de primeira hora de Alcolumbre e candidato à reeleição, ele tem priorizado a política local. Na semana passada, estava ao lado do presidente do Senado quando este cancelou sessão conjunta por falta de acordo sobre vetos presidenciais.
Mesmo com o estilo considerado mais conciliador de Teresa Leitão, a expectativa no Senado é que Alcolumbre continue conduzindo a pauta da Casa de maneira autônoma até as eleições de outubro.
Com informações de G1

