O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou carta ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agradecendo a oferta de colocar uma “equipe de transição” à disposição do governo norte-americano caso o parlamentar vença a eleição de outubro. O documento é datado de 23 de junho de 2026 e responde a correspondência encaminhada pelo brasileiro no início do mês, além de uma visita do senador a Washington.
Na mensagem, Rubio registra o “otimismo” de Flávio em relação ao pleito presidencial e afirma que os Estados Unidos estão prontos para cooperar com os futuros líderes escolhidos pelo eleitorado brasileiro. “Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar em cooperação com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em prol de uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica de comércio e investimentos”, escreveu.
Oferta brasileira
No ofício de 2 de junho, Flávio Bolsonaro declarou estar “confiante” na vitória e prometeu disponibilizar imediatamente uma equipe de transição para acelerar um amplo acordo de comércio e investimentos baseado em mercados livres, respeito mútuo e aliança estratégica entre os dois países.
Transição prevista em lei
Pela legislação brasileira, a equipe de transição é formada somente entre o governo em fim de mandato e o presidente eleito. O dispositivo autoriza até 50 Cargos Especiais de Transição Governamental (CETG), responsáveis por conhecer a estrutura da administração pública federal e preparar os atos iniciais da nova gestão.
Tarifas e investigação comercial
Rubio também usou a carta para reforçar a posição de Washington sobre a possível aplicação de tarifas de 25% a produtos brasileiros. A medida decorre de investigação aberta em julho de 2025 pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a pedido do presidente Donald Trump, que acusa o Brasil de práticas que oneram o comércio bilateral.
Segundo o secretário, o embaixador Jamieson Greer, representante comercial norte-americano, “deixou claro” que ainda existem “diferenças substanciais” entre os dois países em temas como tarifas preferenciais, barreiras ao etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual. Uma audiência pública sobre o assunto está marcada para 6 de julho de 2026.
Facções classificadas como terroristas
O chefe da diplomacia norte-americana também agradeceu o apoio de Flávio Bolsonaro à decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Rubio afirmou que a medida busca atingir redes financeiras, de drogas e de armas ligadas às facções e proteger cidadãos dos dois países do crime organizado transnacional.
Com informações de G1

