Alguns dos títulos mais populares da indústria de jogos eletrônicos nasceram longe dos estúdios de desenvolvimento: saíram diretamente das páginas de romances europeus, muitas vezes ignorados pelo grande público quando foram lançados. The Witcher, Assassin’s Creed e Metro 2033 são exemplos de obras literárias que deram origem a franquias que, juntas, somam centenas de milhões de cópias vendidas em todo o mundo.
The Witcher: vendedor polonês criou universo de 65 milhões de cópias
Em 1986, o então vendedor de comércio exterior Andrzej Sapkowski, de 38 anos, submeteu um conto a um concurso da revista polonesa Fantastyka. A narrativa, inspirada no folclore eslavo, apresentou o bruxo Geralt de Rívia e ficou em terceiro lugar. Três décadas depois, a CD Projekt transformou a saga em jogo. Apenas a terceira parte, The Witcher 3, ultrapassou 65 milhões de unidades comercializadas. Sapkowski não participou do desenvolvimento, vendeu os direitos por US$ 9.350 e, anos mais tarde, exigiu royalties adicionais; o acerto extrajudicial ocorreu em 2019, sem valores divulgados.
Assassin’s Creed: romance esloveno dos anos 1930 inspirou franquia de 230 milhões
O esloveno Vladimir Bartol publicou Alamut em 1938. O livro, uma crítica velada a regimes totalitários, narra a história de Hassan-i Sabbah e da ordem Hashshashin. Décadas depois, o designer Patrice Désilets, da Ubisoft Montreal, encontrou a obra durante pesquisas para um novo jogo. Elementos centrais — a fortaleza, o líder carismático e o lema “Nada é verdade, tudo é permitido” — migraram para o projeto, que acabou rebatizado de Assassin’s Creed. Desde o título original, lançado em 2007, a série já superou 230 milhões de cópias vendidas. O nome de Bartol nunca foi usado em materiais de marketing da empresa.
Metro 2033: autor russo acompanhou adaptação nos estúdios
Dmitry Glukhovsky publicou o pós-apocalíptico Metro 2033 gratuitamente na internet em 2002, após repetidas recusas de editoras. A história, ambientada nos túneis do metrô de Moscou após um holocausto nuclear, atraiu mais de 2 milhões de leitores online. Entre eles estava um diretor da ucraniana 4A Games, que propôs a adaptação para videogame. Glukhovsky participou de todo o processo, reescreveu diálogos em russo e elaborou roteiro original para a sequência Metro: Last Light. A colaboração continuou em Metro Exodus. Hoje, o escritor vive exilado na Europa, condenado em 2023 a oito anos de prisão na Rússia por críticas à invasão da Ucrânia.
Os três casos mostram como universos literários — alguns criados em contextos de guerra, censura ou descrédito editorial — encontraram nos videogames uma nova porta para o público mundial, resultando em franquias que movimentam cifras bilionárias.
Com informações de Olhar Digital

