Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou, na tarde de quarta-feira (24), dois vídeos de cerca de 30 minutos em suas redes sociais relatando ter sido “humilhada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como postulante do partido ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro de 2026. Ela afirmou que os dois não se falam desde o fim de 2025.
Quatro pontos citados por Michelle
Telefone não atendido: Michelle contou que tentou falar com Flávio após críticas que fez a uma possível aliança do PL com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Segundo a ex-primeira-dama, o senador retornou a ligação horas depois e teria sido “ríspido”, pedindo que ela se afastasse das decisões do partido.
Reações nas redes: De acordo com Michelle, após o episódio no Ceará, Flávio e outros filhos de Jair Bolsonaro publicaram mensagens contrárias a ela. A ex-primeira-dama classificou as postagens como “premeditadas”.
Participação na pré-campanha: Michelle negou ter condicionado seu apoio a um pedido público de desculpas e afirmou já ter “liberado o perdão”. Sem mencionar nomes, disse sofrer ataques de um grupo que vive no exterior e que publica conteúdo retirando dela o sobrenome Bolsonaro.
Relação pessoal: A ex-primeira-dama declarou que, apesar de Flávio visitar a casa da família semanalmente, não há diálogo entre os dois. “Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado”, disse.
Origem da crise
O atrito começou após um comício em Fortaleza, no fim de 2025. No palco, Michelle criticou a negociação do PL para receber o apoio de Ciro Gomes, chamando o acerto de “precipitado”. Ela argumenta que Ciro foi um dos principais responsáveis pelo processo que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro e lembrou que o ex-governador já chamou a família do ex-presidente de “corrupta”.
A articulação cearense contava com o deputado André Fernandes (PL-CE), defensor da aliança com Ciro e de uma eventual candidatura do pai, Alcides Fernandes (PL), ao Senado. Michelle, por outro lado, apoia a deputada Priscila Costa (PL) para a vaga.
Resposta de Flávio Bolsonaro
No mesmo dia, antes da partida entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo de 2026, Flávio fez uma live ao lado da esposa usando uma máscara do atacante Neymar. Ele disse que “nada nem ninguém” o aborreceria naquele momento e preferiu falar de futebol. Mais tarde, declarou estar “de coração aberto” para conversar com Michelle e pediu desculpas caso a tenha ofendido. O senador relatou ter visitado Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e afirmou que o ex-presidente o “pôs em missão” para a disputa presidencial.
Flávio também afirmou ter ligado para Michelle na manhã de quarta-feira convidando-a para um encontro com lideranças femininas em Brasília em 1º de julho, convite que, segundo ele, não foi respondido.
Efeitos na campanha
Aliados do senador reconhecem preocupação com o impacto do desentendimento, sobretudo entre mulheres e evangélicos — públicos nos quais Michelle mantém forte identificação política. O episódio reforça a imagem da ex-primeira-dama como defensora de Jair Bolsonaro e amplia a exposição de divisões internas no grupo familiar.
Na manhã desta quinta-feira (25), Michelle publicou novo story afirmando não ter “raiva de ninguém” e defendendo união para “derrotar o atual desgoverno”. Ela pediu que suas declarações não fossem retiradas de contexto.
Com informações de G1

