Brasília – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que viajará novamente a Washington para tentar barrar o tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros desde 2 de junho. A medida, segundo ele, “pode quebrar empresas brasileiras” e não estaria sendo combatida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Encontros entre Trump e Lula abriram crise
O atrito começou em setembro de 2023, quando Donald Trump disse ter sentido “excelente química” com Lula após rápida conversa no edifício da ONU, em Nova York. Lula rebateu que a afinidade fora “uma indústria petroquímica”.
Menos de um mês depois, os dois presidentes conversaram por telefone durante quase uma hora sobre o aumento tarifário americano. Outro diálogo, com o mesmo tema e combate ao crime organizado, ocorreu no início de dezembro.
Em 7 de maio deste ano, Trump recebeu Lula com tapete vermelho na Casa Branca. Ao fim do encontro, o republicano classificou o brasileiro como “dinâmico, bom homem e inteligente”, salientando que as conversas focaram comércio e tarifas. Lula, mais efusivo, pediu que Trump “sorrisse mais” e declarou não querer guerra entre os países.
Interferência dos filhos de Bolsonaro
Incomodados com a aproximação, Flávio e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) recorreram a auxiliares do governo norte-americano que rejeitam o diálogo com o Planalto. Conseguiram, 19 dias depois da visita de Lula, uma sessão de fotos no Salão Oval com Trump.
Na ocasião, os irmãos admitiram ter criticado Lula e solicitado novas ações dos EUA em assuntos internos do Brasil. Entre os pedidos estavam a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas — já atendida por Trump — e o monitoramento das eleições de outubro para evitar supostas fraudes favoráveis ao PT.
Negativa sobre responsabilidade no tarifaço
Com a repercussão negativa do aumento de 50% nas tarifas, Flávio nega ter relação com a decisão norte-americana. “Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula”, declarou, antecipando a ida à Comissão de Comércio Internacional dos EUA.
O senador afirma que Lula nada fez para conter a sobretaxa e que o presidente veria vantagem eleitoral na medida. Ao mobilizar-se contra o tarifaço, Flávio procura se afastar da acusação de ter estimulado o endurecimento comercial que agora tenta reverter.
Com informações de Metrópoles

