O Senado Federal vota na quarta-feira, 20 de março, a indicação de Jorge Rodrigo Messias – atual advogado-geral da União – para a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ser aprovado, o indicado precisa de, no mínimo, 41 votos entre os 81 senadores, em votação secreta.
Messias, 43 anos, nasceu no Recife e formou-se em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco em 2003, ano da primeira posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Concluiu o mestrado em 2018, período em que Lula estava preso, e o doutorado em 2024, já na atual gestão do petista.
Trajetória e notoriedade
O jurista ganhou projeção nacional em 2016, quando apareceu em grampo telefônico entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff. No diálogo, Dilma informava que enviaria a Lula, “pelo Bessias”, o termo de posse na Casa Civil, caso houvesse necessidade de utilizá-lo contra uma eventual ordem de prisão. O áudio foi tornado público pelo então juiz Sérgio Moro.
Resistências e apoios no Senado
A tramitação da indicação foi retardada por resistência do presidente da Casa, David Alcolumbre, que defendia outro nome. Sem conseguir emplacar seu preferido, Alcolumbre mantém oposição a Messias, movimento que, segundo interlocutores, lhe renderia respaldo de ministros contrários à escolha feita por Lula.
No STF, a nomeação também divide opiniões. O ministro Flávio Dino, embora indicado recentemente pelo presidente, teria trabalhado nos bastidores para que o Senado rejeite Messias. Na ala favorável, destacam-se Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos evangélicos, mesma religião do candidato. Gilmar Mendes oscila entre apoiar e recusar.
Rito no Congresso
Antes da votação em plenário, Messias será submetido, na própria quarta-feira, a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Só depois o relatório segue para deliberação final do conjunto dos senadores.
Plano B do Palácio do Planalto
Se o nome for rejeitado, o governo já cogita apresentar Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), como alternativa para a vaga aberta no Supremo.
A disputa, considerada a principal questão política da semana em Brasília, mobiliza parlamentares, magistrados e integrantes do Executivo.
Com informações de Metrópoles

