O fortalecimento do Partido Liberal (PL) no Senado, confirmado após o primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026, reforçou a expectativa de que a Casa coloque em pauta um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já no próximo ano. A avaliação foi feita na noite de terça-feira (6) pelo professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Daniel Vargas, durante o programa “Última Análise”, transmitido pelo canal da Gazeta do Povo no YouTube.
“O eleitor delegou ao Senado a tarefa prioritária de reenquadrar o STF dentro dos limites da democracia constitucional, e isso deve dominar a agenda legislativa de 2027”, afirmou Vargas, acrescentando que “não há espaço para reconciliação” sem reparação às pessoas que, segundo ele, sofreram abusos judiciais.
Articulação política
No mesmo debate, o jurista Frederico Junkert destacou que o senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já conversou com o presidente do STF, ministro Edson Fachin. Marinho teria garantido que, caso Bolsonaro vença o pleito, não haverá nem revanche nem omissão em relação à Corte. “As peças estão se movendo com a nova composição do Senado. Marinho, reconhecido articulador político, surge como principal nome para presidir a Casa em 2027”, observou Junkert.
Decisões de Moraes
Horas antes do programa, Moraes autorizou a progressão ao regime semiaberto de Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”, condenada por depredar uma estátua diante do STF. O ministro também arquivou investigação que mirava os jornalistas Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos por suposta campanha de ataques virtuais. Para Junkert, essas decisões indicam tentativa de “baixar a temperatura” após um período de forte tensão institucional.
Programa ao vivo
“Última Análise” vai ao ar de segunda a quinta-feira, das 19h às 20h30, reunindo convidados para discutir temas políticos e jurídicos que afetam o país.
Com informações de Gazeta do Povo

