Três mulheres apontadas como peças-chave na estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista foram presas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém nos últimos meses. As detenções expõem o papel estratégico que Ligia Sanches Moro, a “Malévola”, Ariane de Pontes Rolim, a “Penélope”, e Talita da Silva Costa, a “Medusa”, desempenhavam na facção.
Quem são as presas
Malévola foi capturada em fevereiro. Segundo a Polícia Civil, ela integrava a “sintonia geral dos estados”, sendo a principal articuladora entre diferentes cidades. Investigadores afirmam que ela e o filho coordenavam o recebimento, a contabilidade e a redistribuição de drogas na Baixada Santista e no Vale do Ribeira. O filho está preso desde julho de 2024 por tráfico de drogas e responde também por roubo de medicamentos.
Penélope caiu em março durante operação da Dise. De acordo com as investigações, ela comandava o setor disciplinar em chamados “tribunais do crime”. Conversas de WhatsApp obtidas pela polícia mostraram o registro de ocorrências em formato semelhante a boletins de ocorrência, com decisões que variavam de orientações a punições físicas. Imagens de homens baleados encontradas no celular da suspeita seriam usadas para comprovar a execução das sentenças.
Medusa foi a última a ser localizada, na segunda-feira (1º/6), em Mongaguá, durante a operação Acato. A polícia aponta que ela exercia a função de disciplina em Peruíbe, com autoridade para validar transações de drogas e determinar punições a desafetos. Na ação, foram apreendidos três celulares, comprovantes de depósito e uma balaclava. Áudios interceptados indicam preocupação de membros do PCC com possíveis rastreamentos após a apreensão de um aparelho pertencente a Medusa; líderes recomendaram o uso de iPhones por considerarem o modelo mais seguro.
Confiabilidade feminina na facção
Responsável pelas investigações, o delegado Bruno Lázaro Mateo afirmou que a presença de mulheres em postos de comando é vista pela facção como sinônimo de confiança e discrição. “O crime organizado se vale delas por passarem, supostamente, despercebidas”, declarou.
As três suspeitas permanecem presas e respondem por associação ao tráfico, tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
Com informações de Metrópoles

