A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (16) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, investigado por receber R$ 146 milhões em propina do Banco Master. A detenção ocorreu durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Além de Costa, os agentes cumpriram mandado de prisão contra o advogado Daniel Monteiro em São Paulo, apontado como “arquiteto jurídico” do esquema. Ao todo, foram expedidos sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.
Imóveis de luxo como pagamento
De acordo com decisão do STF, a propina teria sido paga por meio da aquisição de seis imóveis em bairros nobres de São Paulo. Conversas interceptadas pela PF indicam que Costa visitava os imóveis com a esposa e posteriormente repassava as indicações ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, para que as compras fossem realizadas.
Pressão para negócios entre BRB e Master
O relatório policial sustenta que o ex-presidente do BRB atuava para manter a liquidez do Banco Master e pressionava a estatal a comprar parte da instituição privada. A negociação, iniciada em março de 2025, previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master, mas acabou barrada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano.
Mensagens obtidas pela investigação mostram que, após a eventual compra, Costa e Vorcaro planejavam criar uma holding financeira, na qual o ex-executivo assumiria o cargo de CEO e os imóveis ficariam registrados.
Carteiras de crédito sem lastro
Mesmo alertados sobre “inconsistências relevantes” nas carteiras de crédito oferecidas pelo Master, Costa e o então diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior, autorizaram a aquisição de R$ 12,2 bilhões em ativos considerados fraudulentos, segundo a PF. Servidores do banco confirmaram ter apontado riscos antes da conclusão dos negócios.
A Polícia Federal ainda identificou produção em massa de documentos internos para dar aparência de regularidade aos ativos. O prejuízo potencial ao BRB é estimado em R$ 5 bilhões.
Defesa contesta prisão
Do lado do ex-presidente do BRB, o advogado Cleber Lopes qualificou a medida como “absolutamente desnecessária” e afirmou permanecer convicto de que Costa “não praticou crime algum”. A defesa aguarda acesso integral à decisão para definir próximos passos no STF.
Repercussão no governo do DF
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), divulgou nota em que reforça o compromisso da administração com a transparência e informa que a atual gestão do banco estatal tem colaborado com as autoridades. Desde que assumiu o cargo, Celina afastou 12 diretores ligados ao ex-comandante da instituição.
Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre 2019 e 2025, indicado pelo então governador Ibaneis Rocha (MDB). Antes, trabalhou por quase 20 anos na Caixa Econômica Federal, onde ocupou a vice-presidência de Clientes, Negócios e Transformação Digital.
Com informações de Gazeta do Povo

