O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quinta-feira (14/05/2026) que a sexta fase da Operação Compliance Zero ― que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master ― demonstra a independência da corporação ao alcançar até integrantes de seus próprios quadros.
“A Polícia Federal não protege nem persegue; atua com autonomia e corta na própria carne quando necessário”, declarou Rodrigues. Segundo ele, a investigação reforça “a quase totalidade” de policiais que trabalham com correção e mostra que desvios de conduta não serão tolerados.
PF na mira
De acordo com a apuração, policiais federais em atividade, aposentados e uma delegada participavam de um núcleo denominado “A Turma”, responsável por ameaças, intimidações presenciais, levantamentos clandestinos, acessos indevidos a sistemas governamentais e obtenção de dados sigilosos para atender aos interesses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso desde fases anteriores da operação.
A decisão que autorizou a nova etapa foi assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação desta quinta-feira resultou na prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, apontado como um dos financiadores do esquema.
Financiamento contínuo
Investigadores afirmam que Henrique Vorcaro manteve os repasses de recursos para custear “A Turma” e continuou solicitando informações sigilosas mesmo depois das primeiras fases da Compliance Zero, deflagradas em novembro de 2025 e janeiro de 2026.
Conforme a PF, o grupo integrava uma estrutura paralela de vigilância montada para intimidar desafetos e monitorar adversários do banqueiro.
Posicionamento da defesa
A defesa de Henrique Vorcaro declarou que a ordem de prisão se baseia em fatos cuja legalidade e racionalidade econômica ainda não foram comprovadas no processo. Os advogados afirmam que o Judiciário deveria ter ouvido as explicações do investigado antes de adotar “medida tão grave e desnecessária”.
Com a nova fase, a Polícia Federal busca avançar na identificação de eventuais servidores públicos envolvidos e rastrear o fluxo de recursos que sustentava as atividades do núcleo investigado.
Com informações de G1

