Brasília, 4 de março de 2026 (quarta-feira) – Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, organizou um esquema para intimidar fisicamente o colunista político Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Como seria a intimidação
De acordo com a Operação Compliance Zero, Vorcaro discutiu em um grupo de mensagens a ideia de “simular um assalto” contra o jornalista. Em uma das conversas, o empresário afirmou que pretendia “quebrar todos os dentes” do colunista. O objetivo era silenciar reportagens consideradas desfavoráveis aos interesses do banqueiro.
Estrutura do grupo
O plano era articulado no grupo denominado “A Turma”, que reunia, segundo a PF, ex-diretores do Banco Central, um policial civil aposentado e outros colaboradores. As investigações apontam que o grupo realizava vigilância, monitoramento e consultas indevidas a bancos de dados restritos de órgãos como Ministério Público Federal e Interpol. Os gastos para manter as atividades ilegais chegariam a R$ 1 milhão por mês.
Trajetória de Lauro Jardim
Com 35 anos de carreira, Lauro Jardim é considerado um dos principais colunistas de política do país. Iniciou sua atuação no jornal O Globo em 1989 e passou por publicações como IstoÉ, Jornal do Brasil, Exame e Veja, onde comandou a coluna Radar. Em 2015 voltou ao O Globo, onde mantém coluna com bastidores de política, economia e negócios.
Reações
O Globo classificou as ameaças como ataque à liberdade de imprensa e ao Estado de Direito. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestou solidariedade ao jornalista e elogiou a ação da PF e do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que determinou medidas para garantir a segurança de Jardim.
Posicionamento da defesa
A assessoria de Daniel Vorcaro negou intenção real de violência. Em nota, alegou que as mensagens foram tiradas de contexto e representariam apenas desabafos privados. A defesa afirmou que o empresário respeita o trabalho jornalístico e confia no esclarecimento dos fatos pela Justiça.
As investigações seguem em curso.
Com informações de Gazeta do Povo

