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Moraes congela efeitos da Lei da Dosimetria até decisão do plenário do STF

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Brasília – O ministro Alexandre de Moraes suspendeu, de forma liminar, a aplicação da chamada Lei da Dosimetria enquanto o Supremo Tribunal Federal não concluir o julgamento de duas ações que contestam a constitucionalidade da norma.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (9) e alcança todos os pedidos de revisão de pena baseados na nova lei, inclusive os já protocolados por condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Segundo o gabinete do ministro, ao menos dez execuções penais já receberam o despacho que interrompe a análise dos benefícios previstos.

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Quem é afetado

Na prática, qualquer réu que alegue a Lei da Dosimetria terá de esperar o veredito do plenário. Isso inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses por participação na tentativa de golpe. Embora a defesa de Bolsonaro tenha apresentado, também nesta sexta, um pedido de revisão criminal não relacionado à nova lei, o entendimento deverá ser replicado caso ele ou outros condenados invoquem a norma suspensa.

Ações diretas de inconstitucionalidade

Os questionamentos foram apresentados pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação partidária PSOL-Rede. Os autores pedem a suspensão imediata e a posterior invalidação de trechos que:

  • impedem o somatório de penas para crimes contra a democracia cometidos no mesmo contexto;
  • possibilitam a redução de punição para delitos praticados em multidões;
  • alteram regras de progressão de regime na Lei de Execução Penal.

Para a ABI, a lei “banaliza ataques à democracia”. Já PSOL-Rede sustenta que o texto busca “enfraquecer seletivamente” a proteção do Estado Democrático de Direito.

Tramitação no STF

Moraes, sorteado relator dos processos, requisitou esclarecimentos à Presidência da República e ao Congresso Nacional, que terão cinco dias para responder. Após esse prazo, a Procuradoria-Geral da República e a Advocacia-Geral da União dispõem de três dias para se manifestar.

Reações políticas

Líder da oposição no Senado, o senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou o despacho. Para ele, Moraes “suspendeu a vontade popular” e a Câmara precisa aprovar, com urgência, uma Proposta de Emenda à Constituição que restrinja decisões individuais de ministros que invalidem leis.

A Lei da Dosimetria foi promulgada em 8 de maio, após o Congresso derrubar o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto propõe reduzir punições impostas a envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, incluindo parlamentares e aliados do ex-chefe do Executivo.

Com a medida cautelar, os processos dos condenados continuam tramitando normalmente, mas sem aplicação dos dispositivos recém-aprovados, até que o Supremo defina, em sessão plenária, se a lei se ajusta ou não à Constituição Federal.

Com informações de G1

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