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Mineira curada de Guillain-Barré inspira milagre que levou Aníbal Maria Di Francia à canonização

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Passos (MG) vai celebrar, em 2027, o centenário de morte de Santo Aníbal Maria Di Francia, fundador da Congregação dos Rogacionistas. A cidade tornou-se parte da história do Vaticano graças ao caso da enfermeira Gleida Danese, hoje com 50 anos, cuja recuperação foi reconhecida pela Igreja Católica como o primeiro milagre atribuído ao religioso italiano.

A doença e a súbita recuperação

Em julho de 1985, aos nove anos, Gleida foi diagnosticada com Síndrome de Guillain-Barré. Internada na Santa Casa de Misericórdia de Passos, ela enfrentou:

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  • cinco paradas cardiorrespiratórias;
  • com​a superior a um mês;
  • traqueostomia;
  • tratamento intensivo prolongado e fisioterapia.

Durante uma noite considerada crítica, uma queda de energia atingiu o hospital, que não dispunha de gerador apropriado. A equipe médica chegou a informar à família que as chances de reversão eram mínimas. Na mesma ocasião, a avó paterna da menina, Maria Aparecida Amparado Danese, permaneceu em oração na Capela do Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos, pedindo a intercessão do então Venerável Padre Aníbal. Conforme registros do processo canônico, Gleida recuperou os sinais vitais de forma repentina e sem explicação clínica compatível com a gravidade do quadro.

Reconhecimento do milagre

Anos depois, a Cúria Romana abriu investigação que resultou em um dossiê de cerca de 2 000 páginas, com depoimentos de mais de 30 testemunhas e laudos médicos. O caso de Gleida foi descrito como combinação de ruptura traumática de aorta, Guillain-Barré, traqueostomia, anemia pós-hemorrágica grave e choque hipovolêmico, culminando em recuperação considerada “cientificamente inexplicável”.

O milagre foi decisivo para a beatificação de Aníbal Maria Di Francia, proclamada pelo papa João Paulo II em 7 de outubro de 1990. A canonização ocorreu em 16 de maio de 2004.

Da UTI ao Vaticano

Reconhecida como “testemunha oficial” do milagre, Gleida viajou a Roma com a família e encontrou João Paulo II durante a cerimônia de beatificação. “Estive diante de dois santos: Santo Aníbal e São João Paulo II”, recorda.

Vocação para o cuidado

A experiência influenciou a escolha profissional da mineira. Formada em enfermagem, ela afirma enxergar na carreira uma extensão do atendimento humanizado que recebeu. Atualmente mora em Alcobaça (BA), mas mantém ligação afetiva com Passos, onde afirma ter “renascido”.

Centenário do santo

Como parte das comemorações pelo Ano Jubilar, o Santuário Santo Aníbal Maria Di Francia, em Passos, lançou uma imagem peregrina do fundador dos Rogacionistas. A peça, criada pelo escultor Bruno Carvalho e finalizada pelo reitor padre Silas de Oliveira, traz fios de cabelo do santo em sua base.

Aníbal Maria Di Francia (1851-1927) dedicou-se ao acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade, fundou os Orfanatos Antonianos, as Filhas do Divino Zelo e os Rogacionistas do Coração de Jesus. O dia de Santo Aníbal é celebrado em 1º de junho.

Com informações de Metrópoles

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