O presidente russo, Vladimir Putin, entra no quinto ano de ofensiva contra a Ucrânia, enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, tenta equilibrar avanços e recuos em sua campanha aérea contra o Irã, iniciada há pouco mais de seis semanas. Até agora, nenhum dos dois líderes alcançou os objetivos propostos.
A invasão terrestre russa a uma democracia vizinha e a operação aérea dos Estados Unidos contra a teocracia iraniana diferem em escala e contexto, mas ambas ressaltam o limite do poder militar para obter ganhos políticos duradouros. Ao mesmo tempo, evidenciam a rigidez de Putin diante da flexibilidade — por vezes considerada volatilidade — de Trump.
Críticas a Trump por pausa antecipada
Após ordenar a suspensão dos bombardeios em abril, Trump foi convencido a retomar as ações. Para analistas linha-dura em Washington, o recuo temporário fragilizou a posição dos EUA. O general aposentado Jack Keane declarou à Fox News que preferiria ter iniciado negociações “com a guerra ainda em andamento”, citando a estratégia de pressão contínua adotada por Putin.
O ataque iraniano a navios comerciais na semana passada, seguido de resposta norte-americana, reforçou a avaliação de que o cessar-fogo de abril ocorreu cedo demais. Mesmo assim, Trump chegou a propor um memorando de entendimento preliminar com Teerã, medida vista por parte da elite russa como sinal de fraqueza norte-americana.
Oferta da Casa Branca rejeitada por Moscou
No ano passado, Washington ofereceu alívio de sanções e acordos comerciais a Moscou em troca de um cessar-fogo na Ucrânia. O Kremlin exigiu antes a discussão das “causas profundas” do conflito — expressão usada para abarcar demandas como a exclusão da Ucrânia da OTAN e o controle pleno do Donbass.
Duas fontes próximas ao governo russo afirmam que Putin considera a pressão militar essencial para obrigar Kiev e o Ocidente a concessões. Na avaliação delas, Trump errou ao iniciar e, depois, ao interromper a campanha contra o Irã, desrespeitando a doutrina de manter pressão máxima sobre o adversário.
Diferentes capacidades e custos
Keane argumenta que os EUA dispõem de meios militares muito superiores aos de Putin para dobrar o inimigo. Ainda assim, a Rússia já acumula entre 350 mil e 450 mil militares mortos, além de fortes impactos econômicos, sem sinal de recuo do Kremlin.
Em contraste, Trump tem variado o discurso: em fevereiro prometeu “destruir mísseis” iranianos; no mês passado, afirmou ser “um pouco injusto” impedir Teerã de possuir armas balísticas se outros países também as mantêm. Para o ex-enviado especial de Joe Biden ao Irã, Robert Malley, a constante mudança de metas permite a Trump declarar vitória a qualquer momento, algo politicamente mais difícil para Putin.
Cansaço de guerra e retórica
Apesar do cansaço da sociedade russa, Putin reiterou em entrevista de 28 de junho que “salvar o regime de Kiev não faz parte dos nossos planos”, mesmo após a Ucrânia intensificar ataques em território russo e provocar falta de combustível.
Trump, por sua vez, voltou a adotar tom agressivo na semana passada, chamando o regime de Teerã de “escória, doente, maligna e maluca” e garantindo estar pronto para “terminar o serviço”. Analistas, contudo, duvidam de que Teerã leve as ameaças a sério, sobretudo depois de o próprio presidente dos EUA reconhecer que prolongar o conflito pode levar o país a “possivelmente entrar em uma depressão”.
Com informações de InfoMoney

