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Milly Lacombe critica brasileiros que denunciam racismo só quando a Argentina vence

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Em coluna publicada em 11 de julho de 2026, a jornalista Milly Lacombe questiona a postura de brasileiros que, segundo ela, só se manifestam contra o racismo ao apontar episódios envolvendo torcedores da seleção argentina.

O texto foi motivado por cenas registradas nos Estados Unidos, onde torcedores argentinos acompanharam partidas da equipe de Lionel Messi na Copa e foram flagrados em atos considerados racistas. Para Lacombe, a indignação de parte do público brasileiro surge nesses momentos, mas ignora situações semelhantes no próprio país.

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Dados sobre racismo no Brasil

A colunista relembra que:

  • O Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão;
  • Recebeu mais de 40% das pessoas sequestradas na África e traficadas para as Américas ao longo de quatro séculos;
  • Mesmo com maioria negra na população, o Supremo Tribunal Federal não reúne metade de ministros negros;
  • Jovens negros representam 64,8% das vítimas de ações policiais e 73% das mortes violentas e acidentes no país;
  • A taxa de homicídios entre negros é 170% maior que a de brancos;
  • Em 2025, operações policiais nos complexos da Maré e do Alemão, no Rio de Janeiro, resultaram na morte de mais de 150 jovens negros.

Contexto no futebol

Lacombe afirma que, apesar de o futebol brasileiro contar majoritariamente com atletas negros em campo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e cargos de comando seguem ocupados quase exclusivamente por brancos. Ela cita ainda casos recorrentes de ofensas racistas em partidas no país.

Críticas a Messi e ao perfil do torcedor argentino nos EUA

A jornalista lamenta que Messi não utilize sua projeção internacional para condenar o racismo em seu país. Segundo Lacombe, muitos dos argentinos que viajam aos Estados Unidos para assistir aos jogos pertencem a camadas mais ricas da sociedade e, em grande parte, apoiam o presidente Javier Milei.

Por fim, Milly Lacombe defende que brasileiros que apontam o racismo estrangeiro também voltem o olhar para a realidade nacional, classificada por ela como “brutal, colossal e estrutural”.

Com informações de UOL

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