Lisboa, 21 de abril de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (21) que o governo brasileiro pode aplicar o princípio da reciprocidade contra diplomatas norte-americanos, depois de Washington ter solicitado a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território dos Estados Unidos.
Em publicação feita na segunda-feira (20) pelo Bureau para Assuntos do Hemisfério Ocidental, o governo dos EUA afirmou que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”. Sem citar nomes, o texto pediu que o servidor brasileiro responsável pela tentativa deixasse o país.
A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília confirmou que a mensagem se referia a Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ligação da PF junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE) desde março de 2023. O agente participou das tratativas para prender e deportar o ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal e considerado foragido desde setembro de 2025.
Contexto da prisão de Ramagem
Na semana passada, Ramagem foi detido em território americano após ser encontrado com visto de turista vencido e sem passaporte válido. A PF informou que a ação resultou de um acordo de cooperação com as autoridades dos EUA visando à deportação do ex-parlamentar. Dois dias depois, a polícia migratória norte-americana o liberou alegando que o pedido de asilo político ainda estava em análise, dispensando pagamento de fiança.
Delegado retorna antecipadamente
Segundo fontes diplomáticas em Washington, não houve expulsão formal de Marcelo Ivo, apenas um pedido para que ele se retirasse voluntariamente antes de uma eventual medida compulsória. A missão do delegado, prevista para terminar em agosto, foi encerrada e ele já está em retorno ao Brasil.
Reação do Itamaraty e da PF
Em viagem com Lula pela Europa, o chanceler Mauro Vieira ressaltou que a atuação de Carvalho baseia-se em memorando de entendimento bilateral e classificou as acusações americanas como “sem fundamento”. Em Brasília, o Ministério das Relações Exteriores convocou representante da embaixada dos Estados Unidos para prestar esclarecimentos.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que também acompanhava a comitiva presidencial, reforçou que o governo brasileiro ainda não recebeu notificação oficial de Washington. “Vamos aguardar comunicação formal para então adotar qualquer providência”, afirmou.
Lula fala em “abuso” e reciprocidade
Perguntado sobre o episódio, Lula disse aguardar detalhes, mas não descartou retaliar. “Se houve abuso contra nosso policial, faremos o mesmo com o representante deles no Brasil. Queremos relações corretas, mas não aceitaremos ingerência nem abuso de autoridade”, declarou.
Com informações de G1

