O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou neste sábado (23) que o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, concentre esforços na prisão de “ladrões e milicianos” que comandaram a política fluminense nos últimos anos.
A declaração foi feita durante a inauguração da nova sede do Centro Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na zona norte da capital.
Quem é o governador interino
Desembargador e presidente licenciado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto assumiu o Palácio Guanabara em 23 de março de 2026, após a renúncia do então governador Cláudio Castro (PL). Ele permanecerá no cargo até a posse do chefe do Executivo que será escolhido na eleição de outubro.
Recado direto
Sem citar nomes, Lula afirmou que a população não espera grandes obras do governo interino, mas sim a responsabilização de agentes públicos envolvidos com o crime organizado.
“Ninguém está esperando que você faça um viaduto, uma ponte, uma praia artificial. O que as pessoas esperam é que trabalhe para prender todos os ladrões que governaram este estado e os deputados que fazem parte de milícias organizadas”, declarou o presidente.
Apoio federal
Lula garantiu que o governo federal auxiliará o estado em ações de segurança pública, lembrando a recente aprovação da lei de enfrentamento a facções criminosas. O presidente também reiterou que pretende recriar o Ministério da Segurança Pública, condicionado à votação, no Senado, da proposta de emenda à Constituição que amplia a participação da União no setor. Lula voltou a pedir ao senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) que coloque a matéria em pauta.
Crítica à tentativa de eleição indireta
No discurso, Lula mencionou a tentativa do grupo político de Cláudio Castro de realizar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para definir o sucessor no governo, iniciativa barrada por decisões judiciais. “Se a Assembleia indicasse, viria um miliciano”, disse o presidente.
Resposta da Alerj
Em nota, a Alerj afirmou que respeita as instituições da República e “espera o mesmo respeito de todas as autoridades”. O Legislativo estadual considerou “inaceitável” qualquer generalização que criminalize o Parlamento fluminense e atribuiu parte dos problemas de segurança à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas e à expansão de facções criminosas.
‘Netflix brasileira’
Lula ainda anunciou que voltará ao Rio no próximo fim de semana para lançar, na Cidade das Artes, o Tela Brasil, programa que disponibilizará gratuitamente 500 filmes nacionais em emissoras de TV. O presidente descreveu a iniciativa como “a nossa Netflix brasileira”.
Com a cerimônia na Fiocruz, o presidente encerrou a agenda oficial no estado.
Com informações de G1

