','

'); } ?>

Estudo revela informalidade e riscos à saúde na fruticultura brasileira de exportação

Publicidade

Um levantamento conduzido pela Molina Consulting em parceria com a Oxfam Brasil aponta que, embora as cadeias de manga, uva e maçã movimentem cerca de R$ 15 bilhões por ano, trabalhadores dessas culturas enfrentam elevada informalidade, desigualdades salariais e condições que ameaçam a saúde.

Informalidade atinge quase 70% no campo

De acordo com a pesquisa, 69,2% dos ocupados no setor agropecuário nacional estão sem registro formal, e 52% dos assalariados rurais não contribuem para a Previdência Social. Os dados abrangem todo o segmento agropecuário, mas ilustram a realidade também na produção de frutas destinadas ao mercado externo.

Publicidade

Diferenças salariais por raça e gênero

O estudo identificou que mulheres pretas recebem, em média, R$ 1.449 por mês, enquanto homens brancos chegam a R$ 2.494. Mais da metade da força de trabalho não concluiu o ensino fundamental, fator que limita a mobilidade profissional.

Para Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, a geração de riqueza nas cadeias exportadoras convive com vulnerabilidades históricas, sobretudo para mulheres negras e indígenas, agravadas pela falta de cobertura previdenciária.

Sazonalidade marca colheitas no Rio Grande do Sul

No estado, 80,2% dos vínculos formais na colheita da maçã e 90,2% na da uva são encerrados antes do fim do ano civil. As admissões ocorrem, majoritariamente, em janeiro e fevereiro, e os desligamentos se concentram em março, evidenciando a sazonalidade do emprego.

A atividade atrai trabalhadores de outras regiões, como Mato Grosso, e de países vizinhos, como o Paraguai. Indígenas representam 21,4% da mão de obra na colheita da maçã gaúcha.

Entre os relatos colhidos, aparecem metas de produtividade consideradas excessivas, trabalho em temperaturas entre -8 °C e -9 °C e a redução de pausas para água ou banheiro. Há suspeita de subnotificação de acidentes, segundo registros de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

Mecanização reduz postos manuais no Vale do São Francisco

Nos polos irrigados de Pernambuco e Bahia, a mecanização teria eliminado mais de 40% dos empregos manuais na cultura da manga. A operação das máquinas permanece predominantemente masculina; parte dos trabalhadores dispensados passou a atuar de forma informal, com pagamento por diária e menor proteção trabalhista.

Exposição a agrotóxicos e jornada ampliada

Lideranças sindicais estimam que apenas um em cada cinquenta casos de intoxicação por agrotóxicos é oficialmente notificado. Segundo a pesquisa, produtores adaptam rotinas antes de auditorias, ocultando práticas relacionadas ao uso de defensivos.

Nos galpões de seleção e embalagem, mulheres relatam jornadas que, somadas ao deslocamento e às tarefas domésticas, chegam a 16 horas diárias. Casos recorrentes de infecções urinárias são associados às exigências constantes da linha de produção.

Desafios para a organização sindical

A curta duração dos contratos e a migração entre regiões dificultam a atuação de sindicatos e o acompanhamento contínuo das condições de trabalho, aponta o levantamento.

Ao reunir indicadores nacionais e depoimentos de polos produtivos, o estudo coloca a proteção social, a saúde ocupacional e a redução das desigualdades no centro do debate sobre a fruticultura de exportação no Brasil.

Com informações de Portal do Agronegócio

Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *