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Governo volta a chamar Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria” após audiência sobre tarifas nos EUA

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Brasília – A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou nesta terça-feira (7) nova nota em que classifica o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) como “traidor da pátria”. A acusação foi feita depois de o parlamentar participar, nos Estados Unidos, de audiência pública do Escritório do Representante de Comércio (USTR) sobre a aplicação de tarifas a produtos brasileiros.

No encontro em Washington, Flávio Bolsonaro falou em inglês, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e atacou governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT. Ao seu lado estava o irmão, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que atualmente reside nos EUA.

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Nota do Planalto

“Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz o comunicado da Secom.

Posicionamento do senador

Durante a audiência, Flávio declarou que este seria “o pior momento possível” para novas tarifas e argumentou que a medida beneficiaria Lula em ano eleitoral. Segundo o Planalto, porém, o senador não se posicionou contra o tarifaço; apenas sugeriu o adiamento da decisão.

Negociações em curso

A Presidência afirma que mantém, desde julho de 2025, tratativas contínuas com o governo norte-americano para reverter as tarifas consideradas “injustificadas”. Enquanto o senador discursava, técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto participavam de reunião com representantes do USTR para discutir o tema, segundo a nota.

Acesso à audiência

A participação nas sessões promovidas pelo USTR é aberta a qualquer interessado que se inscreva previamente, procedimento adotado por Flávio Bolsonaro para garantir espaço de fala.

Chancelaria reage

Após o gabinete do senador anunciar sua presença na audiência, o Ministério das Relações Exteriores publicou em redes sociais que “traidores da pátria” devem pedir desculpas pelas tarifas impostas aos produtos brasileiros.

Resposta formal ao USTR

Em 2 de julho, o governo brasileiro enviou documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira contestando a conclusão da investigação conduzida pelos Estados Unidos. A administração Donald Trump acusa o Brasil de práticas “irrazoáveis” que restringiriam o comércio bilateral, citando o sistema de pagamentos Pix, desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

No texto, o Itamaraty apresenta sete argumentos para sustentar que não há discriminação nem barreiras ao comércio norte-americano e ressalta que críticas ao Pix e a decisões do STF tratam de assuntos internos, fora do escopo comercial. O USTR fixou 15 de julho como prazo para um acordo tarifário.

Levantamento de inscritos

De acordo com a Secom, 78 entidades e pessoas físicas — brasileiras e norte-americanas — se inscreveram para opinar. Destas, 63 manifestaram oposição às tarifas e 15 se declararam favoráveis. Entre 44 intervenções dos Estados Unidos, 30 foram contra o tarifaço e 14 a favor. Dos 34 participantes brasileiros, apenas Flávio Bolsonaro não repudiou a medida, preferindo sugerir que a decisão fosse adiada.

Com isso, o Planalto sustenta que o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do país”, reforçando a crítica de que teria agido contra interesses nacionais.

Com informações de G1

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