Brasília – Ministros e assessores do Palácio do Planalto passaram a sexta-feira, 29 de maio, reunidos para mapear possíveis consequências do anúncio feito na véspera pelo Departamento de Estado norte-americano, que incluiu as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras.
Reação imediata do Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi informado da medida na quinta-feira, 28, enquanto participava de agenda no Palácio do Planalto com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Assim que soube, Lula acionou o chanceler Mauro Vieira e pediu levantamento sobre impactos na cooperação internacional de segurança e em áreas financeiras.
O assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, classificou qualquer “pretexto para intervenção” como inaceitável e ressaltou que segurança pública é tema interno.
Articulação interministerial
Para atender à solicitação presidencial, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, convocou reunião de trabalho para o horário do almoço desta sexta. Participaram Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), o secretário-executivo da Justiça, Chico Lucas, e o adjunto da Assessoria Especial da Presidência, Audo Faleiro. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, antecipou retorno de viagem ao Paraguai para acompanhar o processo.
No encontro, foram apresentados dados sobre possíveis reflexos na segurança pública, no mercado financeiro e no turismo. Além disso, Durigan solicitou apoio de representantes junto ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para dimensionar repercussões econômicas.
Notas oficiais e discurso em Sergipe
Ao término da reunião, o Planalto divulgou nota reforçando ações de combate ao crime organizado e classificando como “deplorável” a iniciativa de integrantes da família Bolsonaro de buscar, nos Estados Unidos, apoio a uma intervenção em temas de segurança brasileira.
Poucos minutos depois, durante evento em Sergipe, Lula reiterou que o governo pretende enfrentar o crime organizado com meios próprios e não admite interferência externa. “Não aceitamos ser tratados como moleques nem como uma republiqueta”, afirmou. O presidente também acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “trair a pátria” ao solicitar a Washington a inclusão das facções na lista de terroristas.
Encontro nos EUA precedeu anúncio
A decisão do Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, foi divulgada um dia após Flávio Bolsonaro reunir-se com o senador republicano em Washington. Dois dias antes, em 26 de maio, o parlamentar brasileiro também esteve com o presidente Donald Trump na Casa Branca.
O governo brasileiro segue analisando cenários e pretende concluir, nos próximos dias, um dossiê sobre eventuais impactos práticos da designação norte-americana.
Com informações de G1

