São Paulo, 11 de maio de 2026 – A Meta implantou um sistema que registra cada clique, movimento de mouse e tecla pressionada pelos seus 78 mil funcionários para alimentar projetos de inteligência artificial, sem possibilidade de recusa. A iniciativa provocou forte reação interna, com trabalhadores descrevendo a medida como “desmoralizante” e “insensível”.
O monitoramento chega em meio a um momento delicado para a companhia. A direção confirmou que 10% do quadro de pessoal — cerca de 8 mil colaboradores — será desligado em 20 de maio, corte que, segundo a empresa, compensará os altos investimentos em IA liderados por Mark Zuckerberg.
Como funciona o rastreamento
De acordo com o diretor de tecnologia (CTO) Andrew Bosworth, o sistema captura tudo o que o funcionário digita ou exibe na tela do computador. O objetivo é “mostrar aos modelos de IA como humanos resolvem tarefas complexas”, afirmou o executivo.
Além de coletar os dados, a Meta passou a incluir o uso dessas ferramentas de IA nas avaliações de desempenho. Painéis internos mostram o grau de adoção de cada empregado, transformando a interação com as soluções em critério para promoções e bônus.
Clima de insatisfação e temor
Funcionários relatam que a iniciativa os faz sentir que estão treinando suas eventuais substituições automatizadas. Alguns dizem ter criado agentes de IA apenas para subir nos rankings internos, enquanto outros já procuram vagas fora da empresa.
Contagens regressivas para as demissões e memes de tom niilista circulam em canais corporativos, indicando deterioração na cultura organizacional. Mesmo assim, a Meta sustenta que o sistema possui salvaguardas para impedir o acesso a informações sensíveis e que não realiza vigilância individual, destinando os dados unicamente ao desenvolvimento de produtos.
Até o momento, a companhia não sinalizou mudanças na política nem ofereceu opção de exclusão do programa aos empregados.
Com informações de Olhar Digital

