O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), integra nesta terça-feira, 7 de julho, a audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington. O encontro analisa a proposta do governo Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% a itens exportados pelo Brasil.
Durante sua intervenção, o parlamentar deve se posicionar contra a sobretaxa e contra qualquer restrição que envolva o sistema de pagamentos instantâneos Pix. Flávio desembarcou na capital norte-americana no domingo, 5.
Outros participantes
Também fazem parte da lista de oradores o embaixador Roberto Azevêdo, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Letícia Sperb Masselli, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), entre outros convidados.
Posição apresentada ao USTR
Na semana passada, o senador enviou memorial ao USTR no qual argumenta que o Pix não substitui cartões de crédito e recomenda que o sistema não seja integrado a plataformas “não ocidentais”. No documento, ele também solicita que a aplicação das tarifas seja adiada por 180 dias e, se necessário, adotada apenas após as eleições, alegando que as sanções poderiam afastar investimentos dos EUA no país.
Função do USTR
O USTR conduz investigações comerciais e pode sugerir medidas como a criação de tarifas quando identifica práticas consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.
Governo brasileiro envia observadores
O Itamaraty optou por não inscrever representantes para falar na audiência. Mesmo assim, a embaixada em Washington acompanha os debates como observadora, avaliando que as negociações efetivas ocorrem em tratativas técnicas e de alto nível já em curso.
No âmbito dessas conversas, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se recentemente com o representante do USTR, Jamieson Greer. O prazo para que os dois países cheguem a um entendimento sobre o tema se encerra em 15 de julho.
Contexto da investigação
No início de junho, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o USTR concluiu investigação que classificou algumas políticas brasileiras como “irracionais” ou “restritivas” ao comércio dos EUA. Além da tarifa de 25%, outra apuração sugere sobretaxa adicional de 12,5% a países que, segundo Washington, não fiscalizam adequadamente mercadorias produzidas com trabalho forçado — percentual que pode elevar a taxação total para 37,5% sobre parte das exportações brasileiras.
A adoção das medidas depende do resultado da consulta pública iniciada pelo governo norte-americano. Produtos considerados estratégicos, como café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos, estão indicados como possíveis exceções.
Com informações de G1

