O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (20/7) uma ordem executiva que institui tarifa adicional de 50% sobre diversos produtos importados do Canadá. A medida, que passa a valer em 19 de agosto, foi apresentada como resposta ao que Trump classificou como “tratamento desigual” dado por Ottawa a veículos, laticínios e bebidas alcoólicas de origem norte-americana.
O que muda
A sobretaxa atinge itens de consumo como vinhos e tacos de hóquei, além de bens industriais, caso do cimento utilizado na construção civil. Ficam de fora algumas das principais exportações canadenses: energia, potássio, minerais críticos e pescado.
Contexto da disputa
Washington já mantém tarifas que variam entre 15% e 50% sobre produtos canadenses como aço, alumínio e cobre, além de 35% sobre madeira serrada e 25% sobre peças automotivas fabricadas fora dos EUA. Em retaliação, o Canadá aplica tarifa de 25% a importações de aço, alumínio e veículos norte-americanos.
O novo pacote indica recrudescimento nas negociações bilaterais. No setor automotivo, a Casa Branca alega que Ottawa taxa carros e autopeças dos EUA não contemplados pelo acordo de livre-comércio da América do Norte (USMCA). A indústria dos três países opera com cadeias produtivas integradas, mas o secretário de Comércio norte-americano, Howard Lutnick, já declarou que o Canadá deveria ter “posição secundária” nesse arranjo.
Há ainda embates antigos sobre o sistema canadense de gestão de oferta de laticínios, que limita importações e prevê tarifas superiores a 300% quando as cotas são superadas, e sobre o boicote de províncias canadenses a bebidas alcoólicas dos EUA.
Reações
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou em publicação na rede X que o país está disposto a “intensificar” as negociações nas próximas semanas. Candace Laing, presidente da Câmara de Comércio do Canadá, classificou a decisão como “lamentável” e pediu avanços antes da entrada em vigor das tarifas. Chris Swonger, que preside o Conselho de Destilados dos EUA, alertou para o risco de nova escalada retaliatória.
Base legal
Diferentemente de tarifas anteriores derrubadas pela Suprema Corte em fevereiro, que se baseavam na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977, a nova ordem utiliza a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, destinada a coibir práticas comerciais consideradas discriminatórias.
Efeitos sobre outros parceiros
O endurecimento da política comercial norte-americana também afeta o Brasil. Na semana passada, Washington anunciou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que começa a vigorar em 22 de julho. A lista inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e equipamentos elétricos; café, laranja, suco de laranja e carne bovina ficaram de fora. O governo brasileiro pretende acionar a Lei de Reciprocidade e levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
As negociações para renovar o USMCA seguem travadas. Enquanto EUA pressionam por mudanças, Canadá e México defendem a manutenção do texto atual, que permanece valendo por extensões anuais até que um novo acordo seja fechado.
Com informações de BBC News Brasil

