As recentes decisões do governo norte-americano de propor nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas romperam a “trégua” entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, informou o jornal britânico Financial Times em reportagem publicada na quarta-feira (3).
Segundo o diário, os anúncios “desencadearam uma tempestade política” às vésperas da eleição brasileira de outubro. Lula afirmou ter sido “pego de surpresa” e passou a usar as medidas para atacar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência que se reuniu com Trump na Casa Branca pouco antes da divulgação das iniciativas.
Designação de facções como terroristas
No dia 28 de maio, Washington incluiu PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. A família Bolsonaro defendia a medida havia mais de um ano, enquanto o governo Lula se opunha, temendo eventual intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil.
Proposta de tarifa de 25%
Já na terça-feira (2), a Casa Branca apresentou proposta para aplicar alíquota de 25% a determinados produtos brasileiros, alegando que o sistema Pix e outras práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e “onerariam” o comércio americano. Lula apelidou o pacote de “TariFlávio” e acusou o senador de “trair o país”.
Repercussão política
O Financial Times relata que, para o consultor político Thomas Traumann, a postura de confronto pode favorecer Lula, a exemplo do que ocorreu após a primeira rodada de tarifas no ano passado. Apesar de não declarar apoio explícito na corrida presidencial, Trump tem dado sinais lidos no Brasil como aproximação com Flávio Bolsonaro: na terça-feira, publicou foto ao lado do senador e o chamou de “jovem inteligente que ama seu país”.
De acordo com Traumann, o conjunto de declarações sugere intenção de Washington de influenciar o pleito brasileiro contra a reeleição de Lula. Ainda assim, o FT destaca que Flávio se viu na defensiva ao divulgar vídeo em que alega ter pedido a Trump que não impusesse novas tarifas.
A reportagem conclui que a combinação de pressões tarifárias e classificações de organizações criminosas como terroristas reacendeu tensões diplomáticas e adicionou um novo elemento à disputa eleitoral no Brasil.
Com informações de G1

