Os Estados Unidos formalizaram nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, um acordo que abre caminho para a Arábia Saudita implementar, pela primeira vez, um programa de energia nuclear com fins civis.
Detalhes do pacto
O Departamento de Energia norte-americano informou que foram assinados dois instrumentos: um acordo de cooperação nuclear para usos pacíficos e um tratado bilateral de salvaguardas. Segundo a pasta, esses documentos criam a “base jurídica” para uma parceria avaliada em bilhões de dólares e de duração de várias décadas. O texto também concede “amplo acesso” a empresas dos EUA no futuro mercado nuclear saudita e, de acordo com Washington, “reforça os padrões globais de não proliferação”.
O conjunto de medidas segue agora para análise do Congresso norte-americano. Até o momento, não foram divulgados todos os termos. Reportagens publicadas na imprensa dos EUA apontam que companhias norte-americanas poderão operar usinas no território saudita, permitindo que o reino enriqueça seu próprio combustível, em vez de importar insumos prontos.
Matriz energética atual
Dados de 2023 da Administração de Informação sobre Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês) mostram que 62% da eletricidade produzida na Arábia Saudita vêm do gás natural, 38% do petróleo e menos de 1% de fontes renováveis. Especialistas estimam que, mesmo com o novo acordo, levará ao menos dez anos para que reatores nucleares entrem em operação comercial no país.
Reações e preocupações
A assinatura gerou apreensão em parte do Oriente Médio. O ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores de Israel Avigdor Liberman pediu que o governo israelense “aja com determinação” para barrar o entendimento, alegando que um programa nuclear saudita poderá resultar em armas atômicas e desencadear “uma corrida armamentista insana” na região.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já declarou no passado que buscará armamento nuclear caso o Irã faça o mesmo. Para o correspondente de segurança da BBC Frank Gardner, o pacto atual não indica, nas condições presentes, que Riad planeje desenvolver uma bomba, mas o temor persiste devido ao histórico iraniano de enriquecimento de urânio.
Motivações de Washington
Além da perspectiva de ganhos para a indústria dos EUA, analistas apontam que o acordo mantém a Arábia Saudita sob a esfera de influência americana, evitando que o reino recorra a fornecedores como a China. Desde que voltou à Casa Branca, o presidente Donald Trump tem priorizado a aproximação com Riad: em maio de 2025, realizou uma visita ao país, na qual empresas sauditas prometeram investir cerca de US$ 600 bilhões nos Estados Unidos; em novembro do mesmo ano, recebeu o príncipe Mohammed bin Salman com honras na Casa Branca.
Negociação começou em 2008
As conversas sobre cooperação nuclear civil tiveram início no governo George W. Bush, com um memorando de entendimento assinado em 2008. Entre 2017 e 2019, sete empresas norte-americanas obtiveram autorização para dialogar sobre o tema com autoridades sauditas. Em 2020, porém, o Congresso informou falta de avanços por divergências sobre restrições ao enriquecimento de urânio.
Os dois países firmaram novo memorando em 2022 para troca de informações técnicas em segurança nuclear. No ano seguinte, o Wall Street Journal relatou que Washington avaliava permitir uma instalação de enriquecimento operada pelos próprios sauditas. Em novembro de 2025, uma declaração conjunta estabeleceu as bases legais que agora foram convertidas no acordo assinado nesta quarta-feira.
A tramitação no Congresso norte-americano determinará os próximos passos do projeto nuclear civil saudita.
Com informações de BBC News Brasil

