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Diretor-geral da PF considera “equívoco” rotular PCC e Comando Vermelho como terroristas e reforça pedido de captura de foragidos nos EUA

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Brasília – A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas, em vigor desde esta sexta-feira (5), foi classificada como “equívoco” pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.

Em entrevista à TV Globo, o chefe da PF argumentou que facções voltadas ao lucro obedecem a dinâmicas distintas de grupos com motivações ideológicas ou religiosas. “A estratégia de enfrentamento ao terrorismo é diferente da aplicada ao crime organizado. Não podemos confundir”, afirmou.

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Cooperação e prisão de foragidos

Apesar da crítica, Rodrigues disse enxergar a medida como oportunidade para intensificar a cooperação com Washington. Entre as prioridades, listou o bloqueio da entrada de armas no Brasil e a captura de brasileiros procurados que se encontram em território norte-americano.

A autoridade policial lembrou que a PF não recebeu comunicação oficial sobre a nova classificação e soube do anúncio de 28 de maio apenas pela imprensa. Segundo ele, ainda é cedo para saber se haverá impacto imediato na colaboração entre os dois países.

“Para nós, a definição adotada pelos Estados Unidos não altera o vigor com que combatemos o crime organizado”, ressaltou, citando como pilares da estratégia nacional a integração entre agências, a descapitalização das quadrilhas e a prisão de suas lideranças.

Mal-estar diplomático em abril

O diretor também comentou o episódio que gerou tensão bilateral em abril: a prisão, em Miami, do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado. Ramagem foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em 13 de abril por questões migratórias, mas liberado dois dias depois, antes de qualquer negociação de extradição.

Delegado de ligação da PF nos EUA, Marcelo Ivo de Carvalho, colaborou na captura. Após a soltura, Rodrigues determinou o retorno do policial ao Brasil. Em resposta, os EUA retiraram as credenciais de um agente de imigração que atuava em Brasília.

Entrada de armas e efeitos econômicos

Rodrigues reiterou a necessidade de barrar o fluxo de armamentos ilegais. O Atlas da Violência 2026 aponta aumento de pistolas semiautomáticas apreendidas, de 17% para 28% entre 2019 e 2023, e crescimento de armas de estilo militar de 1,7% para 2,4% no País.

Especialistas avaliam que a qualificação das facções como terroristas pode elevar custos de conformidade para empresas com vínculos nos EUA. O professor Eduardo Mello, da FGV, alerta para possíveis exigências adicionais de comprovação de inexistência de relações com grupos proscritos.

Em nota, o governo brasileiro destacou que o combate ao crime organizado é prioridade, mas frisou que a cooperação internacional deve respeitar a soberania nacional.

Com informações de G1

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