O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) reúne-se nesta sexta-feira (25) para avaliar a permanência do procurador-geral da República, Paulo Gonet, à frente das apurações relacionadas ao Banco Master. A análise ocorre após a Polícia Federal ter localizado, no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mensagens que citam o nome do chefe do Ministério Público.
Suspeitas apontadas pela PF
As conversas obtidas pela Polícia Federal mencionam supostos contatos de Gonet e do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, com pessoas ligadas ao Banco Master. Entre os registros estão ligações telefônicas e relatos sobre um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024, onde Gonet teria se mostrado animado com o convite e pedido que seu filho participasse da viagem. Há ainda mensagens sugerindo que autoridades de alto escalão deveriam interferir para evitar decisões desfavoráveis ao banco.
Caminhos em discussão
O colegiado trabalha com três possibilidades:
1. Arquivamento: caso conclua não haver indícios de irregularidade.
2. Afastamento parcial: Gonet seria retirado apenas dos processos que envolvem o Banco Master, repassando-os a um subprocurador, mas seguiria no comando da PGR.
3. Investigação por crime comum: se houver indícios penais, o Conselho nomeará um subprocurador-geral para conduzir o caso e, se confirmados autoria e materialidade, apresentar denúncia ao Supremo Tribunal Federal.
Possibilidade de perda de cargo
A destituição do procurador-geral da República depende de um rito político-jurídico previsto na Constituição. O processo precisa ser iniciado pelo presidente da República e aprovado pela maioria absoluta do Senado. Além disso, Gonet é subprocurador-geral de carreira e só poderia perder esse posto vitalício mediante sentença judicial transitada em julgado.
Defesa de Paulo Gonet
Gonet nega proximidade com Daniel Vorcaro e afirma que o encontro em Londres foi rápido, público e ocorreu em um evento patrocinado também pelo Banco Master. O procurador-geral sustenta que não mantém contatos diretos com o ex-banqueiro e que menções feitas por terceiros não provam participação em qualquer irregularidade. Segundo ele, todas as ações do Ministério Público visam ao completo esclarecimento dos fatos.
O debate do CSMPF está previsto para terminar ainda hoje, mas decisões mais complexas podem ser adiadas, segundo integrantes do colegiado.
Com informações de Gazeta do Povo

