A sobreposição da colheita da segunda safra de milho em poucas semanas voltou a pressionar o transporte e a estocagem de grãos no país. Entre setembro e início de outubro, fretes rodoviários em polos do Centro-Oeste e do MATOPIBA registraram alta de 20% a 30%, segundo levantamento da nstech, empresa de tecnologia voltada à logística.
Sem espaço para guardar a produção, muitos produtores precisam embarcar o milho imediatamente, justamente no momento de maior disputa por caminhões. A situação é agravada pela safra recorde estimada em 141,8 milhões de toneladas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Investimento em armazéns esbarra em juros elevados
Levantamento apresentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Fórum Mais Milho mostra que 72% dos agricultores considerariam construir armazéns próprios se as taxas de financiamento fossem menores. Outros 25% afirmaram desconhecer as linhas de crédito disponíveis para esse tipo de obra.
Para Mathias Abreu, gerente-geral de Engenharia da AGI Brasil, planejar a armazenagem com antecedência se tornou indispensável diante do crescimento da produção. “Quando o produtor não tem capacidade de guardar o milho dentro da propriedade, fica refém da volatilidade do mercado no momento em que a oferta está no ponto máximo”, afirma.
Qualidade do grão depende de estrutura adequada
Além da capacidade de estocagem, o projeto de um armazém precisa considerar volume colhido, velocidade de recebimento e condições climáticas locais. Etapas de limpeza, secagem e aeração mal dimensionadas favorecem fungos, pragas e perdas de peso, encarecendo a conservação dos grãos.
Abreu aponta as estruturas modulares como alternativa para quem busca começar com menor capacidade e ampliar conforme a necessidade. Com armazenagem na fazenda, o produtor ganha tempo para planejar o escoamento e negociar o milho em condições mais favoráveis.
Com informações de Portal do Agronegócio

