Capivaras ocupam cerca de um quarto da orla do Lago Paranoá, em Brasília, aponta o levantamento “Identificação e monitoramento das populações de capivaras na orla do Lago Paranoá”, conduzido pela Secretaria de Meio Ambiente e Proteção Animal do Distrito Federal (Sema-DF) em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB). O estudo mapeou abrigo e oferta de alimento em 25% do entorno do lago, espaço que também concentra áreas residenciais, clubes e pontos turísticos como a Ponte JK e o Pontão.
Visibilidade maior, mas sem superpopulação
Para a Sema-DF, não há superpopulação no Distrito Federal. O órgão atribui o aumento de avistamentos ao uso ampliado de Áreas de Preservação Permanente (APP) e à retirada de cercas que antes restringiam a circulação da fauna. Esses fatores aproximam os animais das áreas urbanizadas e elevam o risco de atropelamentos, eventos que vêm se tornando mais frequentes na capital.
Monitoramento até 2027
Um novo programa de acompanhamento foi solicitado pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) com apoio da Sema-DF, UCB e Secretaria de Saúde (SES-DF). Iniciado em 2025, o trabalho prevê três anos de observação para identificar variações populacionais, rotas de migração e eventual risco de transmissão de doenças, como a febre maculosa. As equipes realizarão contagens mensais de indivíduos, registro de perfil etário e análise comportamental em locais como a orla do lago, o Parque Ecológico de Águas Claras e o Zoológico de Brasília.
Incidentes recentes
O contato próximo já resultou em ataques: em fevereiro, uma mulher foi mordida enquanto um cachorro solto se aproximava de um grupo com filhotes. Em 2024, dois cães da raça american staffordshire terrier ficaram feridos após investida dos roedores na Ermida Dom Bosco. Casos anteriores incluem a invasão de um shopping no Lago Sul por 11 capivaras, a travessia coletiva pela Ponte das Garças e até a entrada de um bando no Complexo Penitenciário da Papuda.
Recomendações de especialistas
Especialistas orientam manter distância, evitar perseguição ou contato direto e não alimentar os animais. Capivaras podem reagir para proteger filhotes ou território; seus incisivos largos geram mordidas fortes. A Lei de Proteção à Fauna prevê penalidade para quem molestar animais silvestres.
Risco sanitário
As capivaras são hospedeiras do carrapato-estrela (Amblyomma sculptum), transmissor da bactéria Rickettsia rickettsii, responsável pela febre maculosa. A SES-DF não registrou confirmação da doença no Distrito Federal; 84 notificações entre 2025 e 16 de janeiro de 2026 resultaram em 77 descartes e 7 investigações em andamento. Na época de seca, quando a presença de carrapatos aumenta, autoridades recomendam roupas claras, inspeção de vestimentas, condução de pets com guia e evitar áreas de vegetação alta onde os roedores se abrigam.
Medidas propostas pelo Ministério Público
Para reduzir acidentes, a 4ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente emitiu, em dezembro de 2025, a Recomendação nº 07/2025, que prevê implantação de corredores de fauna, cercas-guia e campanhas de educação ambiental voltadas à convivência segura entre população e animais silvestres.
Acompanhar a expansão das capivaras e minimizar conflitos entre fauna e moradores são prioridades do DF até 2027, prazo final do programa de monitoramento em curso.
Com informações de Metrópoles

