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Avatar de IA “Dona Maria” alcança milhões de interações com críticas a Lula e ao STF

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Um perfil criado com inteligência artificial e batizado de Dona Maria vem chamando atenção nas redes sociais desde junho de 2025. A personagem, que simula uma mulher negra e idosa, usa linguagem agressiva para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e já soma números equivalentes aos de figuras políticas tradicionais.

Engajamento comparável a parlamentares

Análise da BBC News Brasil, com apoio da startup de dados Zeeng, apontou média superior a 2 mil comentários por publicação no Instagram entre julho de 2025 e a primeira semana de abril de 2026. Ao menos 12 vídeos ultrapassaram 1 milhão de visualizações, e um, publicado em 10 de julho de 2025 sobre possíveis tarifas dos Estados Unidos ao Brasil, alcançou 8,8 milhões de visualizações e mais de 23 mil comentários.

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No recorte de interações (curtidas e comentários), a página ficou no mesmo patamar de políticos como a senadora Damares Alves (Republicanos) e o deputado Lindbergh Farias (PT), superando, em média, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) no período analisado.

Quem está por trás

O criador do perfil é Daniel Cristiano dos Santos, 37 anos, motorista de aplicativo em Magé (RJ). Ele afirma que vê a conta como fonte de renda complementar e forma de expressar opiniões sem mostrar o rosto. Segundo Santos, grande parte dos seguidores é composta por pessoas idosas e, muitas vezes, de baixa renda.

Santos utiliza o Gemini, inteligência artificial do Google, aliado à plataforma Flow para montagem dos vídeos. Roteiros são gerados com auxílio do ChatGPT. O custo médio, revela, é de cerca de R$ 20 por vídeo.

Roteiro guiado por temas de maior repercussão

Assuntos escolhidos variam conforme a pauta mais comentada do dia, monitorada pelo criador em diferentes redes sociais. Além de política, a personagem já abordou preços de alimentos, operações policiais no Rio de Janeiro e até temas ligados ao futebol, como o jogador Neymar.

Santos reconhece ter publicado informações incorretas em dois episódios; em vez de publicar retratação, preferiu excluir os conteúdos.

Movimentação no TSE

Em 22 de abril de 2026, PT, PV e PCdoB ingressaram com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão dos perfis de Dona Maria, alegando possível propaganda irregular e disseminação de desinformação.

Alerta de especialistas

Para o cientista político Hilton Fernandes, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), o tom raivoso da personagem pode mobilizar eleitores contra determinados postulantes. A professora Yasmin Curzi, da FGV Direito Rio, lembra que conteúdos gerados por IA precisam ser rotulados e podem resultar em punições se veicularem informações falsas ou favoreçam candidatos fora das regras eleitorais.

Já o pesquisador João Victor Archegas, do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), avalia que o fenômeno antecipa desafios para a eleição de 2026. Segundo ele, o TSE não dispõe de estrutura para conter a possível avalanche de material político produzido com IA por cidadãos comuns.

Criador não descarta atuar em campanhas

Santos diz atuar sozinho e garante que, até o momento, não recebe financiamento de partidos ou políticos. Ele admite ter sido procurado por pré-candidatos e empresas, sem revelar nomes, e não descarta prestar serviços durante o processo eleitoral, caso receba propostas.

A repercussão de Dona Maria revela o potencial da inteligência artificial para produzir conteúdo político de baixo custo e alto alcance, tema que já mobiliza as discussões sobre as regras de campanha nas eleições de 2026.

Com informações de G1

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