O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), protagonizou um momento de constrangimento na noite desta terça-feira, 12 de maio de 2026, ao permanecer em silêncio enquanto o plenário aplaudia o advogado-geral da União, Jorge Messias, durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A cena ocorreu logo no início da solenidade, quando o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, cumprimentou Messias em seu discurso: “Cumprimento, especialmente, a advocacia brasileira na pessoa de um querido amigo, que é o advogado-geral da União, Jorge Messias”. O auditório reagiu com aplausos, mas Alcolumbre, sentado ao lado do presidente Lula (PT), manteve as mãos apoiadas no colo.
Primeiro encontro após derrota no Senado
Foi o primeiro contato público entre o senador e o chefe da Advocacia-Geral da União depois de o plenário do Senado rejeitar, em 10 de abril, a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Eram necessários 41 votos favoráveis, mas o indicado recebeu 34, tornando-se o sexto nome barrado em 135 anos de história da Corte — os cinco anteriores foram vetados em 1894, no governo Floriano Peixoto.
Nos bastidores, Alcolumbre é apontado por aliados do Palácio do Planalto como principal articulador da derrota. Antes do resultado, o senador foi flagrado pelos microfones da Mesa Diretora dizendo ao líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA): “Acho que ele vai perder por oito”. A fala embasa um pedido da Associação Civitas para Cidadania e Cultura ao STF para anular a sessão de sabatina e votação.
Reação de Messias
Após a rejeição, Jorge Messias afirmou ter enfrentado “cinco meses de desconstrução” de sua imagem e declarou que o governo sabe quem comandou a articulação contra sua nomeação.
Durante a cerimônia no TSE, Messias apenas sorriu diante dos aplausos, enquanto Alcolumbre manteve o semblante fechado. O episódio foi registrado por câmeras de transmissão institucional.
Com a posse de Nunes Marques, o TSE passa a ser comandado por um ministro que, em discurso, defendeu “liberdade de expressão e atuação sem excessos” da Justiça Eleitoral. A vice-presidência fica com o ministro Edson Fachin.
O evento contou ainda com a presença do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, de parlamentares e presidentes de tribunais superiores.
Não houve, até o momento, manifestação oficial de Alcolumbre sobre o gesto de silêncio registrado na solenidade.
Com informações de Gazeta do Povo

