Brasília — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta terça-feira (14) que o Brasil enfrenta “agressões permanentes” às instituições republicanas e condenou quem, segundo ele, ultrapassa os “limites constitucionais”. A declaração foi dada durante a posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, no Palácio do Planalto.
Sem citar alvos específicos, Alcolumbre disse que “está muito cômodo ofender os outros” e classificou o momento como um cenário em que “todo mundo está passando dos limites institucionais que norteiam a boa convivência na relação republicana”.
O discurso ocorreu horas depois de a CPI do Crime Organizado, no Senado, solicitar o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana anterior, o próprio Alcolumbre rejeitara o pedido para prorrogar os trabalhos da comissão, em meio a um ambiente de tensão entre Poderes.
“Nós somos uma democracia. Precisamos compreender as pessoas que pensam diferente, mas ofender, subjugar, agredir e atacar não vai construir o Brasil que os brasileiros precisam e esperam dos Poderes”, declarou.
Proximidade com o Planalto
A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de ministros, parlamentares e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em diversos momentos, Lula conversou ao pé do ouvido com Alcolumbre, gesto interpretado como sinal de aproximação após o impasse sobre a indicação de Jorge Messias para o STF.
Alcolumbre afirmou que a relação entre Congresso e governo é “honesta e verdadeira” e destacou que políticas públicas têm sido “construídas a várias mãos”. “Presidente Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre estão, como sempre estiveram, integralmente à disposição de fazermos o certo pelo Brasil, porque a história vai cobrar daqueles que fizeram o certo”, disse.
Defesa do diálogo entre Poderes
Ao elogiar a ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT-PR), que deixou o cargo para disputar as próximas eleições, o senador ressaltou que a pasta foi criada para articular o governo com os demais Poderes. Segundo ele, nem todos os projetos encaminhados pelo Executivo ao Legislativo são aprovados sem alterações, o que reforçaria a necessidade de negociação.
“Não precisamos concordar com todas as opiniões, sejam partidárias ou ideológicas, mas o Parlamento faz a construção do que é possível e do que é prioridade para o Brasil”, concluiu.
Com informações de Gazeta do Povo

