Produtores de algodão entram na safra 2026/27 com margem apertada e tolerância mínima a desperdícios. A avaliação é de Leonardo Casali, gerente de Marketing de Produto para Plantadeiras e Pulverizadores da Fendt, que analisou os números do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Custo por hectare ultrapassa R$ 10 mil
Em julho, o Imea projetou o custo de produção em Mato Grosso em aproximadamente R$ 10,6 mil por hectare, sendo quase R$ 4 mil destinados a fertilizantes. Segundo Casali, para cobrir esse investimento o produtor precisa comercializar a pluma acima de R$ 127 por arroba, o que deixa uma margem pouco superior a R$ 1 mil por hectare. Qualquer variação de preço ou produtividade pode, portanto, comprometer o resultado final da safra.
Plantio uniforme reduz perdas iniciais
A distribuição correta das sementes é apontada como primeiro passo para evitar prejuízos. Profundidade e espaçamento homogêneos favorecem emergência regular e menor competição entre plantas. Sistemas que desligam linhas individualmente evitam sobreposição de sementes e fertilizantes, enquanto ajustes automáticos de pressão mantêm a uniformidade do sulco em áreas irregulares.
Pulverização exige mais de 20 aplicações
O algodão demanda frequentes tratamentos para pragas, doenças, plantas daninhas e manejo de crescimento. Conforme Casali, são comuns mais de 20 aplicações ao longo do ciclo, o que amplia o impacto de sobreposições ou falhas. Tecnologias que adequam a vazão à velocidade da máquina, recirculam a calda na barra e mantêm a altura correta dos bicos ajudam a preservar a eficiência mesmo em janelas curtas de operação.
Quando bem executada, a pulverização pode elevar a produtividade em até 10%, ressalta o executivo, dependendo das condições da lavoura e do manejo fitossanitário adotado.
Qualidade da fibra pesa no mercado externo
Além da produtividade, a precisão nas operações influencia características da fibra, rastreabilidade e práticas sustentáveis – fatores cada vez mais valorizados por compradores internacionais. Com margens estreitas, Casali defende que o retorno sobre investimentos em tecnologia deve ser avaliado considerando todo o ciclo da cultura, já que a redução de desperdícios no plantio e nas aplicações pode ser decisiva para a rentabilidade do algodão.
Com informações de Portal do Agronegócio

