Os contratos futuros do café arábica fecharam a semana em queda nas bolsas internacionais, influenciados pelo aumento da oferta brasileira e pelas perspectivas favoráveis para a safra 2027/28. Entre 10 e 17 de setembro, o vencimento dezembro em Nova York passou de 288,15 para 276,50 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 4% e o menor patamar em mais de dois meses e meio.
No mesmo intervalo, o café robusta para novembro na Bolsa de Londres cedeu 4,6%. A pressão externa também atingiu o mercado físico no Brasil, mas a valorização do dólar, a demanda e a postura cautelosa dos produtores limitaram a desvalorização interna.
Embarques brasileiros batem recorde
Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o país enviou 4,16 milhões de sacas em agosto, volume 31% superior ao do mesmo mês de 2025 e o maior da série para o período. No acumulado de julho e agosto, início da temporada 2026/27, os embarques totalizaram 7,204 milhões de sacas, avanço anual de 21,5%.
A receita cambial somou US$ 2,242 bilhões, alta de 4,1% na comparação com igual intervalo do ciclo anterior, reflexo da queda no preço médio do produto.
O ritmo forte continuou em setembro. Nos oito primeiros dias úteis do mês, o Brasil exportou 1.798.317 sacas, média diária de 224.790 sacas, 51,5% acima da média de setembro de 2025, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A receita alcançou US$ 584,586 milhões, crescimento diário de 35%, mas com preço médio 10,9% menor, a US$ 325,07 por saca.
Clima favorece floradas no Brasil e no Vietnã
As primeiras chuvas e o bom início das floradas aumentaram a expectativa de uma safra robusta em 2027/28 no Brasil, o que pode recompor estoques mundiais, segundo analistas da Safras & Mercado. O mercado, porém, segue atento aos possíveis efeitos do El Niño, que pode restringir umidade e elevar as temperaturas nas próximas fases do desenvolvimento das lavouras.
No Vietnã, chuvas consideradas adequadas melhoraram a perspectiva para a produção de robusta, adicionando pressão às cotações em Londres.
Estoques certificados voltam a subir
Após um período de quedas, os estoques certificados de arábica na Bolsa de Nova York voltaram a crescer, trazendo alívio momentâneo para o abastecimento de curto prazo, embora permaneçam em níveis historicamente baixos.
Efeito do câmbio e preços internos
O dólar comercial subiu 0,75% no Brasil entre 10 e 17 de setembro, sustentando as cotações internas em reais. No Sul de Minas Gerais, o arábica bebida boa da safra nova recuou 2,5%, de R$ 1.620 para R$ 1.580 por saca. No Espírito Santo, o conilon tipo 7 caiu de R$ 990 para R$ 960, perda de 3%.
Nos próximos pregões, agentes acompanham o ritmo de exportações brasileiras, a evolução dos estoques certificados, as condições climáticas no Brasil e no Vietnã e as variações cambiais, fatores que podem manter a volatilidade dos preços.
Com informações de Portal do Agronegócio

