O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido declarou nesta sexta-feira (18/9) que Londres “tem o direito” de desenvolver petróleo e outros recursos naturais nas Ilhas Malvinas, arquipélago sob administração britânica e reivindicado pela Argentina.
“O governo do Reino Unido e nossa rede diplomática prestam total apoio às empresas e indivíduos envolvidos nesses projetos”, afirmou a chancelaria britânica ao reagir a um novo pacote legislativo enviado pelo presidente argentino, Javier Milei, ao Congresso.
Projeto argentino eleva sanções
Apresentado na quinta-feira (17/9), o projeto de Lei de Defesa da Soberania Nacional prevê multas, suspensão ou cassação de licenças e até desqualificação, por cinco a 20 anos, para empresas e pessoas que operem em áreas reclamadas pela Argentina sem autorização de Buenos Aires. O texto também inclui mecanismos para forçar a interrupção das atividades consideradas irregulares e amplia a legislação de Defesa Nacional, incorporando a proteção da soberania e da integridade territorial como temas de segurança.
A proposta cria ainda um Conselho de Segurança Nacional com atribuições de direção, coordenação e supervisão da política de segurança, reforçando a intenção do governo argentino de proteger recursos naturais, infraestrutura crítica e espaços marítimos.
Foco no projeto Sea Lion
O embate ganhou força com o avanço do campo petrolífero Sea Lion, operado majoritariamente pela israelense Navitas Petroleum, em parceria com a britânica Rockhopper Exploration. Ambas afirmam possuir licenças válidas emitidas pelas autoridades das Malvinas e chanceladas pelo Reino Unido.
Na quarta-feira (16/9), a Justiça argentina determinou a suspensão das obras, perfurações e demais preparativos do Sea Lion até a apresentação de um estudo de impacto ambiental ao governo argentino.
Disputa histórica
Argentina e Reino Unido disputam a soberania das Malvinas há décadas e travaram uma guerra em 1982. A Organização das Nações Unidas reconhece o impasse e defende solução negociada. Enquanto Buenos Aires contesta a exploração de hidrocarbonetos, Londres sustenta que as autoridades locais têm autonomia para autorizar a atividade.
A recente investida de Milei intensifica uma série de medidas adotadas pelo país sul-americano contra companhias envolvidas na extração de petróleo na área. Dezenas de empresas e executivos já são alvo de processos administrativos abertos pelo governo argentino.
Com os posicionamentos opostos de Buenos Aires e Londres, a exploração de recursos naturais nas Malvinas volta ao centro das tensões diplomáticas entre os dois países.
Com informações de Metrópoles

