O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes chegou a agendar um pronunciamento para as 11h da quinta-feira, 10 de setembro, mas decidiu cancelar a fala poucos minutos depois de anunciá-la.
Interlocutores apontam dois fatores para a mudança de planos. O primeiro é de ordem política e de comunicação: no mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Dark Horse, autorizada pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, aliado de Moraes. A investigação tem potencial para desgastar o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, adversário político do magistrado. Caso o pronunciamento fosse mantido, a operação poderia perder espaço no noticiário.
O segundo motivo envolve o ambiente interno do STF. Na próxima terça-feira, 15 de setembro, o plenário da Corte analisará a relação de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi marcada pelo presidente do tribunal, Edson Fachin, e poderá definir os próximos passos da apuração, além de influenciar o futuro do ministro no Supremo. Avaliações internas indicam que Moraes ainda não tem garantia de apoio da maioria dos colegas para barrar uma eventual investigação.
Ao cancelar a declaração pública, Moraes evita se expor num momento em que, segundo fontes do tribunal, cada gesto é avaliado com cautela. A decisão contrasta com a postura firme que o ministro adotou em ocasiões anteriores, sugerindo um cenário de maior prudência e incerteza sobre seu respaldo dentro da Corte.
Com informações de Metrópoles

