A manutenção da produtividade média será determinante para o tamanho da safra brasileira de soja 2026/27, apontam projeções reunidas pelo consultor Antonio Prado G. B. Neto. Com a área plantada praticamente estável, qualquer variação no rendimento por hectare tende a alterar o volume ofertado pelo País e, por consequência, influenciar o mercado global.
Área cresce apenas 0,6%
Levantamento feito a partir de seis consultorias indica que o Brasil deve semear cerca de 49,14 milhões de hectares, aumento de 0,6% sobre 2025/26. Diante dessa estabilidade, clima, crédito rural e manejo ganham peso extra para definir o resultado da colheita.
Cenário base projeta 182,7 milhões de toneladas
Se o rendimento de 3.712 kg/ha obtido na temporada passada for repetido, a produção pode atingir 182,7 milhões de toneladas. O número fica abaixo dos 186 milhões de toneladas estimados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), evidenciando como pequenas oscilações de produtividade afetam o resultado final.
Simulações mostram perdas de até 17,7 milhões de t
- 3.652 kg/ha: colheita cairia para 179,75 milhões de t;
- 3.592 kg/ha: volume recuaria a 176,81 milhões de t;
- 3.352 kg/ha: safra se aproximaria de 165 milhões de t.
No pior cenário, a retração chegaria a 17,7 milhões de toneladas em relação ao potencial de 182,7 milhões de t.
Clima e crédito no centro das atenções
Com a área limitada, irregularidade nas chuvas, temperaturas altas e eventuais estiagens podem comprometer o desenvolvimento das plantas. Ao mesmo tempo, juros elevados e maior cautela dos bancos ameaçam reduzir investimentos em fertilizantes, corretivos, defensivos e tecnologia, itens essenciais para sustentar a produtividade.
Custos pressionam planejamento
Preços elevados de insumos levam produtores a considerar pacotes tecnológicos mais enxutos. Economias em fases críticas do manejo, porém, aumentam a exposição a estresse hídrico, pragas, doenças e carências nutricionais.
Peso do Brasil no mercado mundial
Responsável por cerca de 42% da produção global de soja, o Brasil exerce influência direta sobre estoques e cotações. Uma colheita robusta ajudaria a manter o abastecimento internacional; já perdas significativas poderiam reduzir a relação estoque/consumo para perto de 23% e elevar a volatilidade dos preços.
Com a expansão de área praticamente esgotada, o resultado da safra 2026/27 dependerá, sobretudo, do comportamento climático, da disponibilidade de crédito e do nível de tecnologia aplicado nas lavouras.
Com informações de Portal do Agronegócio

