As cotações internacionais do café encerraram agosto em baixa, revertendo a valorização registrada em julho. O movimento refletiu sinais de oferta mais folgada, impulsionados pelo avanço dos embarques brasileiros e pela proximidade da colheita no Vietnã. Ainda assim, estoques certificados reduzidos nas bolsas e o risco climático do fenômeno El Niño impediram quedas mais acentuadas.
Desempenho nas bolsas
Na Bolsa de Nova York, referência para o arábica, o contrato dezembro atingiu 345,65 centavos de dólar por libra-peso em 25 de agosto, o maior nível em oito meses e meio. A partir daí, iniciou forte correção e fechou o mês a 311,50 centavos, recuo de 1% em relação ao encerramento de julho (314,65 centavos).
Em Londres, o robusta sentiu pressão maior: o vencimento dezembro cedeu 6,5% no mês, em meio à expectativa de aumento da oferta asiática.
Fatores de pressão
O ritmo mais forte das exportações brasileiras, a chegada de maiores volumes aos armazéns e a proximidade da nova safra vietnamita reforçaram a percepção de abastecimento global mais confortável. Analistas destacam que fundos acentuaram a volatilidade, levando os contratos a ficarem tecnicamente sobrecomprados antes da correção.
Estoques baixos e clima sustentam preços
Apesar da melhora na oferta física, os estoques certificados seguem em níveis historicamente baixos, em parte porque produtores brasileiros veem pouca atratividade em certificar café. Além disso, a possibilidade de impactos do El Niño sobre a próxima temporada mundial mantém um prêmio climático embutido nas cotações.
Mercado interno acompanha recuos
No Brasil, o arábica bebida boa da safra nova caiu de R$ 1.800 para R$ 1.770 por saca no Sul de Minas Gerais ao longo de agosto, desvalorização de 1,7%. No Espírito Santo, o conilon tipo 7 recuou de R$ 1.080 para R$ 1.020 por saca em Vitória, perda de 5,5%. Produtores permanecem seletivos, oferecendo volumes apenas em momentos de preço mais firme.
Perspectivas
O mercado inicia setembro com viés de baixa, sustentado pelas expectativas de produção robusta no Brasil e entrada da safra do Vietnã. Contudo, a combinação de estoques certificados apertados, retenção dos produtores e incertezas climáticas limita espaço para quedas mais profundas e mantém a volatilidade elevada.
Com informações de Portal do Agronegócio

