A expectativa de fortalecimento do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 coloca o manejo do solo entre as prioridades do planejamento agrícola em todo o país. Previsões climáticas indicam chuvas acima da média no Sul, redução de precipitações no centro-norte e temperaturas elevadas em grande parte do território brasileiro, cenário que exige cuidados adicionais para garantir a produtividade na safra seguinte.
De acordo com o engenheiro agrônomo Maurício Komori, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado da Agronelli Soluções, o produtor não controla o clima, mas pode preparar o ambiente de produção. “Quando a raiz atinge camadas mais profundas, amplia o acesso a água e nutrientes, diminuindo a dependência das condições superficiais”, afirma.
Raízes profundas como estratégia contra veranicos
Plantios com sistema radicular concentrado nos primeiros centímetros ficam mais vulneráveis a estiagens e veranicos. Ao ampliar o volume de solo explorado, as plantas conseguem buscar umidade remanescente em níveis inferiores, mantendo a absorção de água e nutrientes mesmo quando a superfície seca.
Diagnóstico além dos 20 cm
Avaliações restritas à camada superficial podem mascarar problemas escondidos em profundidade. Entre as limitações mais comuns estão baixos teores de cálcio e enxofre, alumínio tóxico e compactação física, obstáculos que comprometem o alongamento das raízes e potencializam o estresse hídrico.
Gessagem complementa a calagem
Para melhorar a qualidade das camadas subsuperficiais, a aplicação de gesso agrícola é apontada como aliada. O insumo leva cálcio e enxofre a profundidade, atenua efeitos da toxidez de alumínio e contribui para construir um perfil favorável ao crescimento radicular. Komori ressalta, porém, que o gesso não substitui o calcário: enquanto a calagem corrige a acidez na superfície, a gessagem atua mais fundo.
Limitações físicas exigem manejo específico
Quando o impedimento é mecânico, como camadas compactadas, apenas a gessagem não resolve. Nesses casos, práticas de descompactação devem ser combinadas com a correção química para liberar o caminho das raízes.
Dose variável e planejamento antecipado
Não existe recomendação única de gesso para todas as propriedades. A quantidade adequada depende da análise de solo, da profundidade da restrição, da cultura em cultivo e do histórico de manejo. “O processo começa com um diagnóstico preciso e precisa ser executado antes que o estresse climático apareça na lavoura”, orienta o especialista.
Em um cenário de incertezas climáticas, antecipar a correção do solo — unindo análise, calagem, gessagem e medidas contra compactação — é visto como ferramenta-chave para reduzir riscos e garantir eficiência no uso de água e nutrientes ao longo das próximas safras.
Com informações de Portal do Agronegócio

