Levantamento realizado pela Coan Consultoria com participantes da última edição do Feedlot Summit Brazil indica que apenas 0,87% dos pecuaristas consultados apuram o custo completo da atividade pecuária. O dado expõe a dificuldade do setor em adotar práticas de gestão financeira, mesmo diante do avanço em genética, nutrição e tecnologias de precisão.
Desafios na gestão de custos
De acordo com Rogério Coan, responsável pela consultoria e organizador do evento, conhecer apenas o preço de mercado do animal não basta para saber se a fazenda gera lucro. “O produtor vende o bezerro sem ter clareza do gasto por unidade”, afirmou.
Para construir um cálculo fiel, o pecuarista deve acompanhar desembolsos em todas as fases—cria, recria e terminação—incluindo itens como reposição de animais, alimentação, mão de obra, sanidade, pastagens, máquinas, despesas administrativas, encargos financeiros, depreciação, transporte e comercialização.
Falta de dados dentro da porteira
Segundo a consultoria, muitas propriedades sequer mantêm registros atualizados de rebanho, categorias e peso dos animais. Sem essa base, torna-se inviável elaborar fluxo de caixa, orçamento e indicadores confiáveis, levando a decisões pautadas na percepção, não em números.
Produtividade x rentabilidade
O estudo ressalta que aumentar ganho de peso ou lotação não garante margem maior; se os custos crescerem em ritmo mais acelerado, o lucro pode cair. Por isso, mudanças na dieta, intensificação do sistema ou compra de reposição precisam ser avaliadas também pelo impacto no custo da arroba.
Mercado volátil reforça necessidade de controle
Oscilações nos preços de reposição, boi gordo, insumos e barreiras comerciais elevam o risco para o produtor. Conhecer o ponto de equilíbrio financeiro permite avaliar oportunidades e mitigar impactos de variações cambiais ou exigências de mercados compradores.
Informações indispensáveis
A consultoria recomenda monitorar:
- Produção: número de animais, categorias, peso, ganho médio diário, taxa de lotação e arrobas produzidas;
- Custos: alimentação, sanidade, mão de obra, manutenção, máquinas, infraestrutura, energia, transporte e despesas administrativas;
- Comercialização: preços de venda, datas, despesas de negociação e resultado por lote;
- Reposição: preço de compra, categoria, peso de entrada e influência no custo final;
- Financeiro: fluxo de caixa, investimentos, financiamentos, juros e compromissos futuros.
Feedlot Summit Brazil 2026
O tema gestão de custos voltará ao debate entre 16 e 18 de setembro, no Espaço dos Ipês, em Goiânia (GO). A programação abordará eficiência técnica, mercado, liderança e gerenciamento de riscos, com especialistas do Brasil, Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Uruguai, Paraguai, Panamá e Bolívia. A organização espera reunir cerca de 2 mil produtores e técnicos.
Além das palestras, haverão espaços para troca de experiências, como o Feedlot Podcast e o Buteco do Feedlot, permitindo comparar modelos de produção de diferentes países e realidades de custo.
A pesquisa da Coan Consultoria reforça que, em um cenário de custos elevados e mercado volátil, calcular o custo de produção deixa de ser rotina administrativa e passa a ser fator estratégico para a tomada de decisão dentro da porteira.
Com informações de Portal do Agronegócio

